Esta manhã peguei na colher de metal para mexer o café e, como sempre, pareceu fria. A espátula de madeira ao lado estava à mesma temperatura — confirmei com o termómetro de cozinha, 21 °C para ambas. E no entanto a mão sente uma diferença clara. A questão: por que razão dois objetos à mesma temperatura parecem ter temperaturas diferentes ao toque?
A resposta está no fluxo de calor, não na temperatura. O que os recetores térmicos da pele detetam não é o valor absoluto de temperatura do objeto, mas sim a taxa a que a energia abandona a minha mão — o que um manual de termodinâmica geral chama fluxo de calor por condução. Esse fluxo depende da condutividade térmica do material, k, em W/(m·K).
Para o aço inoxidável, k está na ordem de 15 a 50 W/(m·K). Para a madeira seca, entre 0,1 e 0,2 W/(m·K). A diferença é de duas a três ordens de grandeza. A superfície da pele em contacto está a talvez 33–34 °C; o metal drena esse calor muito mais depressa do que a madeira, e os nervos interpretam essa drenagem como "frio".
- Observado: a sensação de frio é imediata e clara, mesmo sabendo que as temperaturas são iguais.
- Amplamente aceite: o mecanismo é condutividade térmica diferencial.
- Suponho, sem ter verificado: que a adaptação dos recetores ocorre em décimos de segundo, o que explicaria por que a sensação atenua ao longo dos primeiros instantes de contacto.
O que fica em aberto: não sei como o sistema nervoso integra o sinal ao longo do tempo com precisão. A sensação de "frio" diminui ao segurar o metal, mas o modelo detalhado está fora da minha área. Um texto de fisiologia sensorial responderia melhor do que eu. Por agora, fica registado: frio não é temperatura — é taxa de transferência.
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