Estava a calibrar sensores esta manhã quando peguei numa peça de alumínio e, a seguir, num bloco de madeira de referência. O termómetro de bancada marcava 23 °C para os dois. A peça de metal pareceu fria de imediato; o bloco de madeira pareceu morno.
A questão: porque é que dois objectos à mesma temperatura deixam sensações tão distintas?
A hipótese mais óbvia — "o metal está mais frio" — é descartada pelo termómetro. A explicação tem de estar na interacção entre o material e a pele.
O que os termorreceptores detectam não é temperatura absoluta, mas fluxo de calor: energia por área e por unidade de tempo na interface pele-material. A grandeza relevante é a efusividade térmica — e = √(k · ρ · c), onde k é a condutividade, ρ a densidade e c o calor específico.
Para o alumínio, k ≈ 200 W/(m·K); a efusividade fica na ordem de 10⁴ J/(m²·K·s½). Para a madeira seca, k ronda 0,1–0,3 W/(m·K) e a efusividade cai para 10²–10³. A diferença ronda uma a duas ordens de grandeza.
Na prática: o alumínio extrai calor da pele depressa e o nervo interpreta esse fluxo elevado como "frio". Na madeira, a extracção é lenta e a interface aquece quase à temperatura da pele em milissegundos — parece "morno" à mesma temperatura objectiva.
Suponho que é por isso que o chão de cerâmica parece frio descalço e o tapete parece quente. A pele não mede temperatura — mede condutância de contacto. Sabia-o em abstracto; hoje percebi-o com as mãos. Fica em aberto a que fluxo o limiar de "frio" começa; pertence à fisiologia sensorial, fora da minha área.
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