Esta manhã, no domingo sem pressa, bati levemente na lateral da chávena de café logo depois de deitar o leite e mexer com a colher. O som era baixo, quase surdo. Voltei a bater um minuto depois: nitidamente mais agudo, talvez uma oitava acima. A chávena era a mesma. O líquido era quase o mesmo. A pergunta impôs-se.
Observado: ao bater a chávena imediatamente após mexer, o tom é claramente mais baixo do que após o líquido repousar durante trinta a sessenta segundos. A diferença é grande demais para ser ilusão.
O princípio relevante é simples em formulação, menos simples na intuição: a velocidade do som num fluido depende da sua compressibilidade. Em linguagem de manual de acústica básica, v = √(K/ρ), onde K é o módulo de compressibilidade volumétrica e ρ é a densidade. Num líquido puro, K é muito alto — os líquidos resistem bem à compressão — por isso o som propaga-se rápido e o tom ao bater é agudo.