Esta manhã, ao limpar a janela do escritório, notei as pequenas imperfeições no vidro—ondulações quase imperceptíveis que me lembraram de uma das lendas urbanas mais persistentes da ciência: a ideia de que o vidro é um líquido que flui muito lentamente.
Muita gente acredita nisso porque as janelas antigas de igrejas medievais são mais espessas na base do que no topo. "Claro, o vidro escorreu ao longo dos séculos!" Mas essa explicação, por mais poética que pareça, está errada.
O vidro é um sólido amorfo—não possui a estrutura cristalina ordenada de um sólido comum, mas também não flui como um líquido. As moléculas estão presas em posições fixas, congeladas numa estrutura desordenada. Aquelas janelas medievais eram mais grossas embaixo simplesmente porque os fabricantes de vidro da época instalavam os painéis com o lado mais pesado para baixo por razões práticas de estabilidade.