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Domingo de manhã. Preparei um café de pressão — a máquina precisa de descalcificação, o aroma já não é o mesmo — e ao mexer com a colher reparei no padrão habitual: os grânulos de pó que escapam ao filtro acumulam-se sempre no centro do fundo da chávena. Sempre no centro. A intuição diria o contrário.
A questão é simples de formular: porque é que agitar um líquido com sedimentos os empurra para o centro, e não para a periferia?
A resposta imediata — "a força centrífuga empurra para fora" — é correcta para uma partícula solta no espaço. Mas o café está confinado numa chávena, com paredes e um fundo sólido. É essa diferença que muda o raciocínio.