Acordei descalço esta manhã e atravessei o corredor em direção à cozinha. Os dois primeiros metros são soalho de madeira; os seguintes, azulejo. A sensação é conhecida: a madeira é tolerável, o azulejo parece frio até ao osso. Tirei o termómetro de infravermelhos que uso no laboratório e medi os dois materiais — observado: 21,3 °C na madeira, 21,1 °C no azulejo. Praticamente a mesma temperatura. A pergunta impôs-se: porque é que o azulejo parece tão mais frio?
A questão de fundo é esta: o pé mede a temperatura do material, ou a taxa à qual perde calor?
A resposta está na condutividade térmica — grandeza que descreve a facilidade com que um material transporta energia. Um manual de física do estado sólido dá valores típicos de 0,1–0,2 W/(m·K) para madeira seca e 0,8–1,5 W/(m·K) para cerâmica comum. Amplamente aceite: o azulejo conduz calor quatro a dez vezes mais depressa. O pé, ao contactar o azulejo, perde energia à superfície muito mais rapidamente — e os termorreceptores cutâneos respondem ao fluxo de calor, não ao valor absoluto de temperatura.