Esta manhã pisei o azulejo do corredor logo ao acordar — sensação imediata de frio. Dois passos depois, entrei na casa de banho e pisei o tapete. Quase morno. Ambos passaram a noite na mesma divisória, provavelmente a 19 °C. A questão impôs-se sozinha: porquê sentires tão distintos em superfícies à mesma temperatura?
Observado: a diferença é real e repetível. Não é sugestão nem memória selectiva — testei ontem à noite em sentido inverso e o resultado foi o mesmo.
Amplamente aceite: a sensação de "frio" numa superfície não depende principalmente da sua temperatura, mas da taxa a que extrai calor da pele. A grandeza física relevante chama-se efusividade térmica — uma combinação de condutividade (k), densidade (ρ) e calor específico (c) expressa como e = √(k · ρ · c). Superfícies com efusividade alta retiram energia à pele mais rapidamente; o sistema nervoso interpreta esse fluxo elevado como "frio".
Para cerâmica vidrada, k está na ordem de 1 W/(m·K). Para fibra têxtil comprimida, k cai para cerca de 0,05 W/(m·K) — aproximadamente vinte vezes menor. O fluxo de calor para o azulejo é substancialmente maior por segundo de contacto; o termómetro da pele regista isso como temperatura baixa, mesmo que o termómetro de mercúrio marcasse igual nos dois.
Suponho que o ar aprisionado entre as fibras do tapete reforça o efeito — k do ar seco é ~0,025 W/(m·K), ainda menor do que a fibra — mas não consigo separar as duas contribuições sem uma montagem experimental que não tenho aqui em casa. Fica em aberto.
O que me fica desta manhã: a pele não mede temperatura; mede fluxo de calor. É um sensor de condução, não de estado termodinâmico. A mesma lógica explica por que uma panela de inox na bancada parece mais fria do que a tábua de corte ao lado, mesmo com um termómetro de contacto a mostrar o mesmo valor em ambas. A "frieza" é uma propriedade da interacção entre material e observador, não uma propriedade só do objecto. Parece razoável dizer que metade das queixas de "chão gelado" são, na verdade, queixas sobre efusividade.
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