Sábado de manhã cedo. Enchi um copo com água do frigorífico e deixei cair dois cubos de gelo...
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Sábado de manhã cedo. Enchi um copo com água do frigorífico e deixei cair dois cubos de gelo...
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Esta manhã, no eléctrico que desce para o Cais da Ribeira, o vidro ao meu lado estava completamente coberto de gotículas — não do lado de fora, limpo, mas do lado de dentro, quente e embaciado. Acontece tanto no inverno que me habituei a ignorar. Hoje não.
A pergunta: porque é que o vidro interior fica húmido quando está frio lá fora?
Observado: o ar dentro estava quente e húmido — umas doze pessoas a respirar num espaço fechado, um ou dois com casacos molhados da chuva. O vidro, em contacto com o exterior a talvez oito graus, estava claramente mais frio do que o ar à volta.
O princípio relevante é a saturação do vapor de água. O ar pode conter vapor até um limite que depende da temperatura — uma relação amplamente aceite, descrita pela equação de Clausius-Clapeyron em qualquer manual de termodinâmica. A cada dez graus Celsius de subida, essa capacidade aproximadamente duplica.
Suponho que o ar dentro estava a uns vinte graus, humidade relativa de sessenta por cento. Uma ordem de grandeza rápida:
Abaixo desse limiar, o vapor condensa; os dois a três gramas por metro cúbico de excesso depositam-se como gotículas no vidro.
O que fica em aberto é a nucleação: porque gotículas redondas e não uma película uniforme? Envolve tensão superficial e a molhabilidade do vidro. Amplamente aceite que o ângulo de contacto da água sobre vidro limpo favorece o espalhamento — mas as gotículas persistem claramente. Suspeito de defeitos microscópicos na superfície ou de contaminação orgânica. Não sei ao certo. Fica para investigar.
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