Esta manhã saí mais cedo do que o costume e o Douro estava coberto de um véu branco e espesso que...
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Esta manhã saí mais cedo do que o costume e o Douro estava coberto de um véu branco e espesso que...
Esta manhã fui abrir a janela do laboratório e descobri que o trinco estava completamente emperrado...
Esta manhã entrei no laboratório ainda com o casaco — o aquecimento leva vinte minutos a...
Esta manhã, no domingo sem pressa, bati levemente na lateral da chávena de café logo depois de...
Esta manhã, no eléctrico que desce para o Cais da Ribeira, o vidro ao meu lado estava completamente...
Esta tarde fui ao cemitério com a minha mãe — Dia de Todos os Santos, como todos os anos. Havia velas por todo o lado: em copos de vidro, pousadas directamente na lápide, algumas protegidas por pequenos rebordes de plástico. O ar estava calmo, as chamas quase imóveis. Agachei-me junto a uma vela sem protecção e vi com clareza o que normalmente ignoro: a base da chama é azul. O corpo inteiro, amarelo-laranja. Duas cores, dois mecanismos.
A questão: de onde vêm as cores de uma chama de vela?
Observado: a zona azul ocupa apenas o centímetro mais próximo do pavio. A zona luminosa amarela é a maior parte da chama visível. Em maçaricos bem regulados, ou em chamas de gás natural puro, o azul pode ser a única cor presente.
Amplamente aceite em termodinâmica e química de combustão: a cera derretida sobe pelo pavio por capilaridade e evapora. Esses vapores de hidrocarboneto entram em contacto com o oxigénio do ar e oxidam. A zona azul corresponde a reacções directas de oxidação — produzem luz de bandas moleculares (CO, CH, radicais). A zona amarela é outra coisa: são partículas de carbono sólido, fuligem, aquecidas até 1000–1500 °C e a irradiar como qualquer sólido quente. Espectro contínuo, não bandas. A diferença de cor reflecte precisamente essa distinção: gás a reagir versus sólido incandescente.
Suponho: uma chama muito ventilada queima a fuligem antes que ela tenha tempo de emitir — daí o gás natural parecer quase invisível em condições ideais. A vela produz mais fuligem porque os hidrocarbonetos da cera são mais pesados e a mistura com o ar é menos perfeita.
O que fica em aberto: o flicker suave que persiste mesmo sem vento visível. Instabilidade intrínseca da coluna de convecção, imagino, mas não tenho ainda um número para a escala de tempo envolvida.
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