Há muito tempo atrás, como você bem sabe, este acesso aqui para esse mundo interno era mais simples e foi iniciado por uma outra entrada para uma outra pessoa, que não é bem quem você pensa. A primeira vez que usei essa voz para me comunicar no entanto, foi para esta que você achava conhecer bem.
Apresentei para ela metáforas dessa terra, segredos que a Residente Mor não ousava compartilhar em sã consciência, — transmutar as vergonhas dela para uma forma complexa como a minha parece mais fácil para ela do que se vestir de si, mas isso você entende bem, pois a conhece. — e assim, um processo único e belo surgiu. Após muitas luas, muitas subidas e decidas de marés, enchentes terríveis e transmutações, essa terra se tornou diferente, ouso dizer que mais sincera. Estive distante, observando a Residente Mor e Aquela que você julgava conhecer, essa que inegavelmente tinha uma destreza sem igual em desvendar por si toda essa porção de universo pessoal com um toque perigosíssimo de altruísmo e abnegação, chamado por ela de amor.
Não é curioso para você as tantas vertentes de amor existentes? Não é surpreendente como desamor, quando sustentado firmemente pode ser entregue como amor?