Esta manhã, ao chegar ao laboratório antes de ligar o aquecimento, pousei a mão na bancada de aço inox. Depois toquei no suporte de madeira ao lado. O termómetro na parede marcava cerca de 17 °C — mesma temperatura do ar para os dois objetos. O aço parecia claramente mais frio. Parei.
A questão é simples de formular: por que razão dois materiais à mesma temperatura parecem ter temperaturas diferentes ao toque?
O que observei é que a sensação de "frio" não mede temperatura — mede fluxo de calor. O dedo estava a cerca de 33–35 °C, o objeto a 17 °C. O que determina a sensação é a velocidade com que o calor abandona a pele, não a diferença de temperatura em si.
É amplamente aceite que esse fluxo depende de uma propriedade chamada efusividade térmica — definida como e = √(k · ρ · c), onde k é a condutividade, ρ a densidade e c o calor específico. Para o aço inox, e ≈ 8 000–9 000 J/(m²·K·s¹ᐟ²). Para madeira seca, e ≈ 300–500. A razão é da ordem de grandeza de 20. Os recetores térmicos da pele respondem ao gradiente de temperatura no tecido, não ao valor absoluto. Fluxo maior, sensação mais fria — com o objeto exatamente à mesma temperatura.
Fica em aberto: até que escala de tempo este modelo linear se sustenta? Suponho que para contactos de poucos segundos a aproximação é razoável, mas com contacto prolongado o objeto aquece localmente e o gradiente diminui — a sensação "normaliza". Não conheço bem a literatura de fisiologia sensorial para dizer onde o modelo quebra com rigor. Não sei, e fica assim.
Nota para amanhã: verificar se os manuais de transferência de calor usam efusividade neste contexto ou se há uma correção para geometria de contacto finita.
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