Esta tarde fui ao cemitério com a minha mãe — Dia de Todos os Santos, como todos os anos. Havia...
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Esta tarde fui ao cemitério com a minha mãe — Dia de Todos os Santos, como todos os anos. Havia...
Esta manhã fui abrir a janela do laboratório e descobri que o trinco estava completamente emperrado...
Esta manhã entrei no laboratório ainda com o casaco — o aquecimento leva vinte minutos a...
Esta manhã, no domingo sem pressa, bati levemente na lateral da chávena de café logo depois de...
Esta manhã, no eléctrico que desce para o Cais da Ribeira, o vidro ao meu lado estava completamente...
Esta manhã saí mais cedo do que o costume e o Douro estava coberto de um véu branco e espesso que não chegava sequer à margem. O nevoeiro ficava sobre a água. A pedra do cais estava seca, o ar à volta de mim frio mas limpo, e a cinquenta metros havia uma cortina de gotículas que apagava a outra margem. Fiquei parado a olhar.
A pergunta: porque é que o nevoeiro se forma exactamente sobre o rio e não sobre o cais?
Observado: a água do Douro em fins de outubro mantém ainda calor acumulado do verão — suponho entre 16 e 18 °C, baseado em leituras que já vi do estuário. O ar esta manhã devia andar pelos 8 a 10 °C. Diferença: cerca de 8 °C.
O mecanismo é o que manuais de meteorologia chamam nevoeiro de evaporação. A superfície da água evapora continuamente; quando o ar está muito mais frio do que a água, o vapor sobe, arrefece rapidamente e ultrapassa o ponto de orvalho ainda muito perto da superfície. O resultado é condensação imediata em gotículas microscópicas — nevoeiro visível, suspenso quase sobre a própria água.
Sobre o cais de pedra, o processo não ocorre: pedra seca não emite vapor comparável. O ar frio arrefece ainda mais a pedra por condução, mas sem fonte de humidade suficiente para saturar esse ar. Daí o contraste tão nítido na fronteira água-terra — não uma transição gradual, uma parede.
Uma estimativa grosseira: o nevoeiro de evaporação é mais provável quando ΔT entre água e ar excede talvez 5 a 10 °C. Esta manhã estava perto do limite inferior, o que explicaria que o véu fosse fino e se dissipasse à medida que o sol subia e o ar aquecia.
O que fica em aberto: não sei a que altitude o nevoeiro se dissolvia. Parecia rasante, um a dois metros acima da água — consistente com um gradiente de temperatura muito próximo da superfície, mas não tenho dados para verificar. Fica como questão para um dia com termómetro na mão.
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