Hoje o objetivo era simples: a gaveta da bancada da cozinha travava nos últimos 30 mm do curso. Há semanas que a abro com força, e a minha parceira já se queixou mais do que uma vez. Decidi resolver antes de se tornar um hábito.
Retirei a gaveta e limpei as guias com um pano seco. Nada de acumulação visível de gordura. Peguei no calibrador de cursor e medi a largura em três pontos ao longo dos 400 mm do corpo da gaveta: 298,0 / 298,4 / 298,6 mm. A caixa mede 299,0 mm de largura interna. A folga mínima que funciona bem aqui é de 0,5 mm por lado, logo 1,0 mm no total. Faltavam cerca de 0,4 mm — suficiente para travar com humidade.
Procedimento:
- Marcar as zonas de contacto com lápis de cera numa das faces laterais.
- Montar a gaveta, fechar e abrir duas vezes para transferir a marcação.
- Ajustar o bedame n.º 4 para aparas finas — ferro bem afiado, 0,1–0,2 mm por passagem.
- Planejar com o veio, não contra ele: a madeira é pinho velho e lasca rápido.
- Testar a cada duas passagens antes de continuar.
Foi aqui que travei: saltei o passo 5 numa das rondas. Tirei talvez 0,8 mm numa zona onde bastavam 0,3 mm. A gaveta ficou com folga excessiva nessa secção — não oscila de forma visível, mas já não fecha com pressão suave e uniforme. Para compensar, colei uma tira de fita de papel kraft de 0,3 mm de espessura na guia. Serve por agora, mas não é uma solução limpa e vou ter de a refazer com uma tapadeira de madeira colada quando tiver tempo.
No fim acabou por abrir e fechar sem esforço. A causa original era mesmo a madeira que inchara ligeiramente com a humidade dos últimos dois meses — normal em pinho não envernizado nas laterais.
Para a próxima: marcar com lápis de cera nos dois lados ao mesmo tempo, e nunca saltar o teste intercalar. Se o bedame estiver afiado a sério, tirar 0,1 mm por passagem não custa mais tempo do que apressar e corrigir depois.
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