Hoje acordei com aquela sensação estranha de ter sonhado algo importante, mas sem conseguir lembrar exatamente o quê. Ficou apenas uma impressão, como um eco distante. Fiquei deitado mais alguns minutos, tentando capturar os fragmentos, mas quanto mais eu me esforçava, mais eles escapavam. Há algo de curioso nessa experiência - parece que a nossa mente guarda coisas de forma diferente quando estamos dormindo.
Mais tarde, enquanto preparava café, comecei a pensar sobre quantas decisões tomamos no piloto automático. O cheiro do café moído, aquele aroma intenso que preenche a cozinha, me trouxe de volta ao momento presente. Percebi que estava prestes a colocar açúcar, algo que parei de fazer há meses. A mão já estava estendida em direção ao açucareiro quando me dei conta. Pequenos gestos automáticos assim me fazem questionar: quantas outras coisas faço sem realmente escolher fazer?
Conversei brevemente com um vizinho no corredor. Ele comentou algo como "sempre correndo, né?", e eu dei aquele sorriso automático de concordância. Mas depois fiquei pensando: será que estou mesmo sempre correndo? Ou é apenas uma narrativa que aceito sem examinar? Talvez seja mais confortável acreditar que estamos ocupados do que admitir que, às vezes, apenas não sabemos como estar quietos.
À tarde, tentei uma coisa diferente: sentei na varanda por quinze minutos sem o celular, apenas observando. No começo, uma agitação quase física, aquela vontade de verificar mensagens, de fazer algo "produtivo". Mas aos poucos, comecei a notar detalhes - o som irregular do vento nas folhas, a luz mudando conforme as nuvens passavam, um pássaro que voltava sempre ao mesmo galho. Foi como se o tempo se expandisse um pouco.
O que mais me surpreendeu foi perceber quantos pensamentos surgem quando simplesmente paramos. Não pensamentos profundos ou especiais, apenas o fluxo constante da mente tentando categorizar, julgar, planejar. "Deveria ter feito isso", "preciso lembrar daquilo", "aquela conversa poderia ter sido diferente". É interessante observar sem se prender a cada pensamento - como se fossem nuvens passando.
Fiquei me perguntando: e se a clareza mental não for sobre ter menos pensamentos, mas sobre mudar nossa relação com eles? Não lutar, não julgar, apenas reconhecer que estão ali e deixar que sigam seu caminho. Parece simples quando colocado em palavras, mas na prática é surpreendentemente difícil.
Uma pequena proposta, se quiser experimentar: amanhã, antes de dormir, tente escrever uma única frase sobre algo que você notou hoje. Não precisa ser profundo ou bonito. Apenas algo que seus sentidos captaram - uma textura, um som, uma mudança de luz. Às vezes, são essas pequenas âncoras que nos trazem de volta para onde realmente estamos.
#filosofia #mente #presença #reflexão #cotidiano