Esta manhã acordei com o som da chuva batendo na janela. Não era uma chuva forte, mas aquele ritmo constante e suave que parece lavar não apenas a rua, mas também os pensamentos acumulados. Fiquei alguns minutos apenas ouvindo, sem me levantar, e notei como é raro permitir-me esse tipo de pausa sem propósito.
Ontem cometi um erro pequeno mas revelador. Estava a ler um texto sobre estoicismo e apercebi-me de que estava a sublinhar frases como se fossem instruções a seguir, como se a filosofia fosse uma lista de tarefas. Parei e ri-me um pouco de mim mesmo. Quando é que transformei a reflexão num projeto de produtividade? Voltei atrás e reli tudo, desta vez apenas para compreender, não para aplicar imediatamente.
Lembrei-me de uma frase que ouvi há anos: "A mente é como água. Quando está agitada, é difícil ver com clareza. Quando está calma, tudo se torna evidente." Não sei bem de onde vem, mas ressoa hoje. Tenho passado muito tempo a tentar resolver questões que talvez precisem apenas de mais silêncio.
Fiz uma pequena experiência ao meio-dia. Preparei o café de duas maneiras: uma vez apressado, como faço normalmente, e depois uma segunda chávena, mas desta vez prestando atenção a cada passo — o cheiro do pó, a temperatura da água, o som ao despejar. A diferença não estava no sabor, mas em como me senti depois. Uma chávena deixou-me ansioso para a próxima tarefa; a outra deixou-me presente.
Talvez a filosofia não seja sobre encontrar respostas, mas sobre mudar a qualidade da nossa atenção. Não sei se isso resolve alguma coisa, mas transforma a pergunta.
Pequeno experimento para ti: Amanhã de manhã, escolhe uma ação quotidiana simples — escovar os dentes, abrir uma porta, beber água — e fá-la com atenção total durante cinco segundos. Nota o que acontece na tua mente.
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