Acordei hoje com a luz do sol a entrar pela janela de uma forma diferente. Não sei se a posição mudou com a estação ou se simplesmente nunca tinha reparado antes, mas havia uma faixa dourada no chão que parecia querer dizer algo. Fiquei ali sentado, só a observar, e percebi como raramente paro assim. Sempre há algo a fazer, sempre há um próximo passo.
Tentei uma coisa simples esta manhã: antes de pegar no telefone, perguntei a mim mesmo "O que é que eu realmente preciso neste momento?" A resposta foi silêncio. Só isso. Cinco minutos de silêncio antes de começar o dia. Não foi meditação formal, não foi nada especial. Foi apenas estar ali, com a luz, com o som distante dos pássaros lá fora.
O engraçado é que cometi o erro habitual à tarde. Estava a ler um artigo sobre atenção plena e, sem dar por isso, já tinha três separadores abertos e a mente completamente dispersa. Ri-me de mim próprio. Como é que posso ler sobre estar presente se nem consigo ficar presente enquanto leio? Mas talvez seja precisamente esse o ponto. Não se trata de ser perfeito. Trata-se de reparar.
Houve um momento no café onde trabalho às vezes. Uma senhora ao lado dizia ao telefone: "Não tenho tempo para pensar." E eu reconheci-me completamente nessa frase. Quantas vezes já disse isso? Mas pensar não é algo que exija tempo extra. Pensar acontece de qualquer forma. A questão é: estamos conscientes dos nossos pensamentos ou simplesmente somos arrastados por eles?
Esta noite, em vez de analisar o dia inteiro, vou tentar algo diferente. Vou escolher um único momento — talvez aquela luz da manhã — e vou deixá-lo repousar na memória. Sem julgamento, sem conclusões grandes. Apenas deixar que exista.
Se quiseres experimentar algo pequeno amanhã: antes de abrires o telemófone pela primeira vez, faz uma pausa. Três respirações. Pergunta-te o que realmente precisas naquele momento. Pode ser silêncio, pode ser movimento, pode ser café. Não há resposta errada. É só um momento de escolha consciente antes do dia te escolher a ti.
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