Esta manhã acordei dez minutos antes do alarme e fiquei deitado sem mexer. Os ombros estavam pesados — não era dor, era apenas peso, como se o colchão puxasse de volta. O estômago neutro. O pensamento que surgiu foi imediato: hoje vai ser lento. Não sei se era uma previsão ou um desejo disfarçado de previsão.
Ontem à noite fui dormir perto das vinte e duas horas, mais cedo do que o habitual, mas acordei duas vezes sem motivo aparente. Tenho estado a tentar distinguir a quantidade do sono da sua qualidade, e cada vez fico menos certo de que a "qualidade" se consegue medir sem me enganar a mim próprio. É uma variável que escorrega.
Há uma semana comecei um experimento: não verificar o telemóvel durante a primeira hora depois de acordar. Os parâmetros: sete dias, manhãs de semana apenas, e no final da semana verifico como me sinto antes e depois desse intervalo — usando a tensão nos ombros como indicador aproximado. O que observo por agora é que o silêncio da manhã é fácil de aguentar, mas que o pensamento de o que está à espera de mim aparece de qualquer forma, sem o ecrã. Fico com a hipótese de que o ecrã não era a causa, apenas o canal onde esse pensamento costumava aterrar.
A tarde foi diferente. Houve um momento de foco longo numa tarefa que não estava à espera de fazer — cerca de duas horas sem me levantar. O estômago aqueceu ligeiramente, o que reconheço como alguma coisa próxima de satisfação, mas não euforia. O pensamento foi: isto correu bem. O estado era calmo. As duas coisas não chegaram ao mesmo tempo.
Fico com a hipótese de que o foco não se convoca directamente — aparece quando as condições estão certas, quaisquer que sejam. A questão que deixo aberta: o sono fragmentado de ontem atrasou o foco da tarde, ou não teve relação nenhuma?
Amanhã vou notar a que horas o foco aparece, se aparecer.
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