Esta manhã acordei mais lento do que o habitual. Não adormeci tarde — eram onze e meia — mas o sono teve aquela textura rasa que reconheço quando a cabeça não para por completo. Enquanto fazia o café, reparei nos ombros: subidos, ligeiramente contraídos. A sensação no peito não era ansiedade. Era mais parecida com antecipação sem objeto.
Fiquei a tentar localizar o que mudou ontem à noite. Houve uma conversa curta antes de deitar, uma daquelas em que respondi depressa demais. Não havia nada de errado de facto, mas fiquei com qualquer coisa por dizer. Pensamento: deveria ter ficado mais uns minutos. Sensação física: um peso pequeno, algures perto do esterno. Não cheguei a escrever sobre isso na altura — fechei o telemóvel e deitei-me.
Tenho um ensaio a decorrer desde há oito dias. Os parâmetros:
- Hipótese: evitar ecrãs trinta minutos antes de deitar reduz o que chamo de sono-raso
- Período: duas semanas, até ao dia 28
- Como verificar: registo simples de como acordo — escala de um a três, nada mais
- O que observo até agora: seis dias em três, um dia em dois, hoje acordei a dois
A variável que não controlei foi essa conversa de ontem. Não sei se o efeito desta manhã vem do ecrã ou do que ficou por dizer. Fico com a hipótese de que ambos contribuem, mas não é possível separar ainda com esta amostra pequena.
A questão que fica: será que o corpo regista o que a conversa não terminou antes de a cabeça o reconhecer?
Não vou concluir nada esta semana. O que observarei a seguir: se a textura do sono muda quando a véspera termina sem nada suspenso. Por agora deixo em aberto.
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