Hoje de manhã acordei antes do despertador, às seis e vinte. Fiquei na cama uns minutos sem pegar no telemóvel. O ombro direito estava contraído — percebi isso antes de qualquer pensamento. Depois vieram as ideias sobre o trabalho: uma reunião que ficou por marcar, uma resposta que demorei a dar ontem. O humor só chegou depois, como uma camada sobre o resto — uma resistência pouco definida, não exactamente ansiedade, mas na mesma direcção.
Tenho reparado que essa sequência importa. Corpo primeiro, pensamento depois, humor por último. Quando misturo os três ao mesmo tempo, fico sem clareza sobre o que está a acontecer. Esta manhã foi mais legível do que o habitual. Talvez porque dormi sem interrupções — sete horas seguidas, coisa que não acontecia desde quinta.
A experiência desta semana: sem café antes das dez. Hipótese: o café em jejum amplifica a agitação das manhãs, não a elimina. Período: sete dias, a terminar sexta-feira. Controlo: notar o estado do estômago e dos ombros às oito, antes e depois de comer alguma coisa. O que estou a observar até agora:
- as manhãs ficam mais lentas mas menos ruidosas
- o estômago quieto até às nove e meia
- a concentração no primeiro bloco de trabalho parece igual, talvez ligeiramente menos dispersa
Ainda não sei se prefiro isso. É cedo para concluir.
À tarde houve uma hora de distracção — abri coisas sem urgência, li artigos a meio. Não tentei interromper. Deixei. O estômago estava quieto. Os olhos pesados, mas com o peso que vem do cansaço normal, não da frustração. Fico com a hipótese de que havia ali uma necessidade de pausa que eu ainda não tinha nomeado como tal. Resistir teria sido inútil.
Há uma questão que deixo sem resposta por agora: o que é que eu confundo com motivação quando na verdade é apenas ausência de ansiedade de fundo?
Amanhã observo se o estado ao acordar tem alguma relação com o que comi ao jantar. Só isso.
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