Recebi ontem a confirmação de que posso mudar para o projeto de reestruturação logística no segundo semestre. A transferência é interna, sem aumento imediato, mas com exposição a uma área que eu não conheço bem — planejamento de demanda de longo prazo. O gestor da nova equipe perguntou se eu topava. Pedi 48 horas para pensar, porque "toparia" seria a resposta automática, e respostas automáticas sobre carreira costumam custar caro.
O que estou escolhendo: sair de um projeto onde sou competente e entrego no prazo para um onde serei iniciante por pelo menos seis meses. O que estou dando up: a tranquilidade de saber exatamente o que o trabalho exige de mim; talvez um bônus menor no fim do ano, já que parte da avaliação ainda considera entrega no projeto atual. Sei que a curva de aprendizado vai pesar. Imagino que, em doze meses, a experiência em planejamento de demanda abre portas que o projeto atual não abre. Sinto que estou com medo de parecer incompetente durante o período de transição — e isso, isolado, não é argumento suficiente para ficar.
As opções como eu as vejo agora:
- Aceitar a transferência agora, rever em outubro se o aprendizado progrediu como esperado.
- Pedir para entrar só em agosto, terminar uma entrega importante aqui antes.
- Recusar e esperar a próxima oportunidade, que pode não aparecer tão cedo.
A segunda opção parece mais limpa. Agosto me dá seis semanas para fechar o ciclo de análise de fornecedores que está em andamento — algo que incomoda deixar pela metade, não por perfeccionismo, mas porque passa contexto para quem assume. Além disso, seis semanas é tempo suficiente para não parecer fuga.
Em termos de dinheiro, a transferência não muda nada nos próximos três meses: mesmo salário, mesmo percentual destinado à previdência privada. Se até dezembro a nova área não tiver me dado nenhuma responsabilidade de análise autônoma, revejo a decisão com mais frieza. Vou escrever isso no calendário: 30 de novembro, revisar.
Próximo passo: responder ao gestor amanhã, propondo entrada em agosto e alinhando o que ele espera nos primeiros 90 dias.
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