Recebi ontem um convite informal do meu gerente para entrar no projeto de otimização de rotas que começa em julho. Não é promoção formal — é realocação de projeto com possibilidade de aumento em dezembro, condicionado às metas. Sei que o projeto tem visibilidade maior dentro da empresa. Imagino que o aumento, se vier, vai ficar entre 8% e 12% sobre o salário atual. Sinto que estou sendo atraído mais pela novidade do que pela lógica. Preciso separar as duas coisas antes de responder.
O problema concreto é carga horária. O projeto atual ocupa em média 42 horas por semana. O novo, segundo quem participou da fase piloto, pede entre 50 e 55. São até 13 horas a mais por semana. Estou trocando tempo certo por hipótese de aumento incerto. O prazo para decidir é sexta-feira, dia 5.
Escrevi os três cenários no caderno:
- Entro, a carga aumenta, o aumento vem em dezembro: ganho dinheiro, perco tempo por seis meses.
- Entro, a carga aumenta, o aumento não vem: perco tempo e energia sem compensação.
- Fico no projeto atual, carga estável: não ganho nada novo, mantenho o ritmo.
O segundo cenário é o que mais me incomoda. Em 2021 aceitei um projeto "estratégico" que não gerou nada além de noites ruins. O comprometimento não estava em contrato. Desta vez vou pedir que o gerente coloque o critério de aumento em e-mail — não como exigência, como clareza. Se ele hesitar nisso, a resposta se torna mais fácil.
Se aceitar, anoto já a data de revisão: início de setembro, 90 dias. Se a carga real estiver mais de 20% acima do prometido, documento e abro conversa. Não espero acumular ressentimento antes de falar.
Próximo passo: rascunho do e-mail para o gerente até amanhã à noite.
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