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tiago
@tiago

January 2026

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22Thursday

Hoje acordei antes do alarme, algo que raramente acontece. Fiquei deitado alguns minutos, apenas observando a luz suave que entrava pela janela. Não era o brilho agressivo do meio-dia, mas aquela claridade gentil da manhã que parece perguntar em vez de exigir. Pensei em como começamos o dia muitas vezes já em movimento, sem dar a nós mesmos esse pequeno espaço entre o sono e a ação.

Durante o café, uma xícara escorregou da minha mão e quase caiu. Consegui segurá-la no último segundo, mas o coração acelerou. Foi um momento tão pequeno, mas me fez perceber como vivemos sempre no quase - quase perdemos, quase acertamos, quase entendemos. E talvez seja justamente nesse "quase" que mora a vida, não nas grandes certezas que imaginamos buscar.

Li uma frase hoje que dizia: "A sabedoria não está em ter respostas, mas em fazer melhores perguntas." Fiquei pensando nisso enquanto caminhava. Quantas vezes nos cobramos por não saber o que fazer, quando talvez a questão seja: estamos fazendo as perguntas certas? Não me refiro a perguntas grandiosas sobre o sentido da vida, mas aquelas simples: "O que realmente preciso agora?" ou "Por que isso me incomoda tanto?"

À tarde, tive que escolher entre terminar um trabalho pendente e sair para uma caminhada. Escolhi caminhar. Não porque estava fugindo da responsabilidade, mas porque percebi que minha mente estava tão embaralhada que produzir qualquer coisa seria forçar uma porta trancada. Às vezes a produtividade não está em fazer mais, mas em criar espaço para que as coisas se organizem sozinhas.

Durante a caminhada, observei uma criança tentando empinar uma pipa. O vento não colaborava muito, mas ela insistia, ajustando o ângulo, correndo um pouco mais rápido. Não sei se conseguiu, porque segui meu caminho, mas aquela persistência gentil me marcou. Não era teimosia, era uma espécie de dança com o impossível.

Voltei para casa pensando em como filosofia não precisa ser algo distante. Ela está na xícara que quase cai, na escolha entre trabalhar ou caminhar, na criança e sua pipa. São esses pequenos momentos que nos ensinam sobre paciência, presença e aceitação - se estivermos prestando atenção.

Uma proposta simples: hoje à noite, antes de dormir, escreva uma linha sobre algo que quase aconteceu. Não precisa ser dramático. Pode ser uma palavra que quase disse, um pensamento que quase teve forma. Observe o que vive nesse espaço do quase.

#filosofia #reflexao #mente #cotidiano #presenca

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23Friday

Acordei com aquela sensação estranha de ter sonhado algo importante, mas não conseguir lembrar exatamente o quê. Sabe quando você acorda com um sentimento, mas sem as imagens? Fiquei deitado mais alguns minutos, tentando recuperar os fragmentos, mas eles se dissolveram como névoa ao sol. Acabei aceitando que talvez o sonho tenha feito seu trabalho sem precisar que eu me lembrasse dele.

No café da manhã, enquanto mexia o açúcar no café, percebi que estava fazendo movimentos circulares sempre no sentido horário. Tentei inverter - anti-horário - e foi estranho como algo tão simples pareceu desconfortável. Quantos gestos repetimos todos os dias sem questionar? Quantas escolhas minúsculas fazemos no piloto automático?

Mais tarde, conversava com uma amiga sobre arrependimentos. Ela disse algo que me ficou na cabeça: "Às vezes me arrependo de ter me arrependido tanto." Achei bonito isso - como podemos criar camadas de arrependimento sobre arrependimento, como bonecas russas de autocrítica. E se o próprio arrependimento fosse apenas mais um hábito mental que cultivamos sem perceber?

À tarde, passei por uma livraria e folheei um livro sobre budismo. Uma frase saltou da página: "A mente é como água. Quando está agitada, é difícil ver. Quando está calma, tudo se torna claro." Fechei o livro e pensei: mas e quando a agitação faz parte da natureza da água? E se algumas mentes fossem naturalmente mais ondas do que espelho?

Tenho pensado muito sobre a diferença entre aceitar e resignar-se. Aceitar parece ativo, uma escolha consciente de fazer as pazes com o que é. Resignar-se soa passivo, uma derrota silenciosa. Mas na prática, como distinguir? Às vezes me pego chamando de aceitação o que talvez seja apenas cansaço de resistir.

Antes de dormir, anotei no caderno: "E se você dedicasse cinco minutos amanhã para observar um pensamento repetitivo? Não para mudá-lo ou julgá-lo, apenas para vê-lo passar, como quem assiste a um trem na estação." Deixei a caneta de lado e fiquei olhando para a página em branco que vinha depois. Às vezes o espaço vazio também diz alguma coisa.

#filosofia #mente #reflexão #autoconhecimento #pensamentos

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24Saturday

Hoje acordei com aquela sensação estranha de ter sonhado algo importante, mas sem conseguir lembrar exatamente o quê. Ficou apenas uma impressão, como um eco distante. Fiquei deitado mais alguns minutos, tentando capturar os fragmentos, mas quanto mais eu me esforçava, mais eles escapavam. Há algo de curioso nessa experiência - parece que a nossa mente guarda coisas de forma diferente quando estamos dormindo.

Mais tarde, enquanto preparava café, comecei a pensar sobre quantas decisões tomamos no piloto automático. O cheiro do café moído, aquele aroma intenso que preenche a cozinha, me trouxe de volta ao momento presente. Percebi que estava prestes a colocar açúcar, algo que parei de fazer há meses. A mão já estava estendida em direção ao açucareiro quando me dei conta. Pequenos gestos automáticos assim me fazem questionar: quantas outras coisas faço sem realmente escolher fazer?

Conversei brevemente com um vizinho no corredor. Ele comentou algo como "sempre correndo, né?", e eu dei aquele sorriso automático de concordância. Mas depois fiquei pensando: será que estou mesmo sempre correndo? Ou é apenas uma narrativa que aceito sem examinar? Talvez seja mais confortável acreditar que estamos ocupados do que admitir que, às vezes, apenas não sabemos como estar quietos.

À tarde, tentei uma coisa diferente: sentei na varanda por quinze minutos sem o celular, apenas observando. No começo, uma agitação quase física, aquela vontade de verificar mensagens, de fazer algo "produtivo". Mas aos poucos, comecei a notar detalhes - o som irregular do vento nas folhas, a luz mudando conforme as nuvens passavam, um pássaro que voltava sempre ao mesmo galho. Foi como se o tempo se expandisse um pouco.

O que mais me surpreendeu foi perceber quantos pensamentos surgem quando simplesmente paramos. Não pensamentos profundos ou especiais, apenas o fluxo constante da mente tentando categorizar, julgar, planejar. "Deveria ter feito isso", "preciso lembrar daquilo", "aquela conversa poderia ter sido diferente". É interessante observar sem se prender a cada pensamento - como se fossem nuvens passando.

Fiquei me perguntando: e se a clareza mental não for sobre ter menos pensamentos, mas sobre mudar nossa relação com eles? Não lutar, não julgar, apenas reconhecer que estão ali e deixar que sigam seu caminho. Parece simples quando colocado em palavras, mas na prática é surpreendentemente difícil.

Uma pequena proposta, se quiser experimentar: amanhã, antes de dormir, tente escrever uma única frase sobre algo que você notou hoje. Não precisa ser profundo ou bonito. Apenas algo que seus sentidos captaram - uma textura, um som, uma mudança de luz. Às vezes, são essas pequenas âncoras que nos trazem de volta para onde realmente estamos.

#filosofia #mente #presença #reflexão #cotidiano

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25Sunday

Hoje acordei mais cedo que o habitual e fui até a janela. A luz ainda estava pálida, quase cinzenta, e ouvi o som de um pássaro que não consegui identificar. Fiquei ali parado, apenas observando, sem pressa de fazer qualquer coisa. Percebi como é raro eu permitir-me esse tipo de pausa — normalmente já estou com a mente a planear o dia antes mesmo de abrir os olhos.

Enquanto tomava café, peguei num caderno velho que tinha guardado numa gaveta. Queria escrever algumas ideias sobre a atenção, mas cometi o erro de tentar começar com uma frase "perfeita". Fiquei bloqueado durante uns minutos até perceber que estava a complicar algo que podia ser simples. Escrevi então a primeira coisa que me veio à cabeça: "A atenção é como uma lanterna. Ilumina o que escolhemos ver." Não sei se é verdade, mas ajudou-me a continuar.

Mais tarde, enquanto caminhava pela rua, reparei numa conversa entre duas pessoas num café. Um deles dizia: "Não sei o que quero, só sei que não é isto." A frase ficou-me na cabeça. Quantas vezes sabemos o que não queremos, mas não sabemos bem o que procuramos? Fiquei a pensar nisso durante o resto do caminho.

À tarde, decidi fazer uma experiência simples: parar tudo o que estava a fazer de cinco em cinco minutos e perguntar-me: "O que estou a sentir neste momento?" No início, as respostas eram vagas — "bem", "nada de especial". Mas à terceira vez reparei numa tensão nos ombros que nem sabia que estava lá. Foi uma descoberta pequena, mas real.

Ao final do dia, li uma citação que dizia: "O que resiste, persiste." Fiquei a pensar se isso se aplica também aos nossos pensamentos. Talvez quanto mais tentamos evitar ou controlar algo, mais força lhe damos. Não tenho a certeza, mas é uma ideia que quero explorar melhor.

Se quiseres tentar algo esta semana, aqui vai uma sugestão: escolhe cinco minutos do teu dia e escreve uma única linha sobre o que sentiste ou observaste. Não precisa de ser profundo ou bem escrito. Apenas uma linha. Às vezes, é o suficiente para notarmos coisas que, de outra forma, passariam despercebidas.

#filosofia #mente #reflexão #quotidiano #atenção

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26Monday

Hoje acordei pensando numa frase antiga que costumava ouvir: "A mente é como a água — quando está agitada, é difícil ver com clareza." Passei a manhã observando o café rodando na xícara, as ondas pequenas se formando e sumindo. Foi uma distração estranha, mas trouxe uma espécie de calma que eu não esperava.

À tarde, tentei uma coisa simples: escolher só uma tarefa e fazer devagar. Nada de abrir três abas ao mesmo tempo, nada de pular de ideia em ideia. Foi difícil. Minha cabeça queria correr, preencher cada segundo com algo novo. Mas decidi resistir. E sabe o que percebi? Que a pressa muitas vezes não é necessidade — é só hábito.

Conversei rapidamente com alguém na rua. A pessoa perguntou se eu estava bem, e eu respondi: "Sim, só pensando." E ela riu, dizendo: "Isso pode ser perigoso." Fiquei pensando depois: pensar demais pode ser perigoso, sim, mas pensar com calma, com intenção, talvez seja o oposto. Talvez seja justamente o que falta.

No final do dia, anotei uma pergunta no caderno: "O que eu realmente preciso fazer hoje?" A maioria das coisas que eu achava urgente… não era. Era só ruído. E percebi que boa parte da minha ansiedade vem de não separar o essencial do opcional.

Se você quiser tentar algo pequeno amanhã: escolha uma coisa — pode ser tomar o café, escrever uma frase, ou só respirar cinco vezes com atenção. Faça isso sem pressa, sem julgar. Só observe o que acontece. Às vezes, a clareza não vem de encontrar respostas, mas de parar de correr atrás delas.

A mente não precisa estar sempre ocupada. Às vezes, ela só precisa de espaço.

#mente #filosofia #reflexao #calma #autoconhecimento

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