Esta manhã acordei com o som da chuva batendo na janela. Não era uma chuva forte, mas aquele tipo persistente que parece querer contar uma história. Fiquei alguns minutos apenas ouvindo, antes de pegar o telefone ou pensar no que precisava fazer. Foi estranho perceber como é difícil simplesmente estar sem fazer nada.
Depois do café, sentei para escrever e me deparei com uma pequena decisão: continuar um texto que comecei ontem ou começar algo novo. Parece bobagem, mas fiquei travado ali por uns bons quinze minutos. Será que estou evitando terminar porque tenho medo de que não fique bom? Acabei escolhendo continuar, não porque resolvi o medo, mas porque percebi que ficar parado era pior.
No meio da tarde, conversei brevemente com uma vizinha no corredor. Ela comentou: "Você sempre parece tão calmo." Não soube bem o que responder. Por dentro, muitas vezes me sinto como um pato na água—sereno na superfície, mas remando freneticamente por baixo. Talvez a calma seja apenas a escolha de não mostrar toda a agitação. Ou talvez seja uma máscara que uso até começar a acreditar nela.
Hoje cometi um pequeno erro: tentei fazer duas coisas ao mesmo tempo durante o almoço—comer e ler um artigo denso sobre estoicismo. Resultado? Não aproveitei a comida e não absorvi o texto. Foi um lembrete de que dividir atenção geralmente significa dar atenção pela metade para tudo. Às vezes a pressa de "aproveitar o tempo" me faz desperdiçá-lo.
À noite, enquanto preparava chá, reparei na fumaça subindo da xícara. Aqueles fios de vapor que aparecem e desaparecem. Me fez pensar em como nossos pensamentos são assim—surgem do nada, tomam forma por um instante, e se dissipam. Não precisamos agarrar cada um deles.
Se você quiser experimentar algo hoje: escolha um momento comum—escovar os dentes, tomar banho, esperar o ônibus—e preste atenção completa por apenas dois minutos. Nada de celular, nada de planejar. Apenas observe o que está acontecendo agora. Pode parecer simples demais, mas é surpreendentemente difícil.
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