Acordei hoje com uma pergunta estranha na cabeça: por que é mais fácil ser gentil com estranhos do que com as pessoas próximas? Talvez porque com estranhos não há história, não há expectativas acumuladas. É uma folha em branco, e nós conseguimos escrever qualquer versão de nós mesmos.
Ontem cometi um erro pequeno mas revelador. Interrompi alguém no meio de uma frase porque achei que já sabia o que ela ia dizer. Quando percebi o que tinha feito, senti aquela pontada de vergonha. Não era só sobre interromper – era sobre presumir que minha versão da história dela seria mais rápida, mais eficiente. Como se escutar completamente fosse um luxo que eu não podia me dar.
Fiquei observando pela janela depois disso. O vento fazia as folhas dançarem de um jeito quase hipnótico, cada uma seguindo seu próprio ritmo, mas todas conectadas pela mesma corrente de ar. Pensei: a atenção funciona assim também. Quando realmente prestamos atenção em alguém, não estamos apenas ouvindo palavras – estamos sentindo o ritmo, os silêncios, o não-dito.
"A solidão não é a ausência de companhia, mas o momento em que nossa alma é livre para falar conosco."
Li essa frase há anos e hoje ela voltou. Passei a tarde inteira sozinho, mas não me senti solitário. Senti algo diferente – uma presença. A minha própria presença, talvez. Quantas vezes fugimos de nós mesmos? Preenchemos cada minuto com som, com distração, com qualquer coisa que nos impeça de ouvir nossos próprios pensamentos.
Aqui vai um pequeno experimento, se você quiser tentar: amanhã de manhã, antes de pegar o telefone, fique cinco minutos apenas sentado. Não medite, não force nada. Apenas observe o que aparece. Talvez seja ansiedade, talvez seja tédio, talvez seja algo completamente inesperado.
O que me fascina na filosofia não são as grandes respostas, mas as pequenas perguntas que nos fazem pausar. E hoje a minha pergunta é: o que perdemos quando estamos sempre correndo para o próximo momento?
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