Acordei hoje com o som de chuva batendo na janela. Não era aquela chuva forte e urgente, mas uma chuva suave, quase como um sussurro. Fiquei alguns minutos apenas ouvindo, sem olhar para o telemóvel, sem planejar o dia. Só ouvindo. É curioso como raramente fazemos isso — apenas ouvir, sem mais nada.
Mais tarde, enquanto preparava o café, percebi que estava a tentar fazer três coisas ao mesmo tempo: aquecer a água, responder a uma mensagem e pensar no que escrever hoje. O resultado? Quase deixei a água ferver demais. Parei. Desliguei o fogão. Respirei. Terminei de fazer o café devagar, prestando atenção a cada gesto. A diferença foi pequena mas notável — o café não ficou melhor, mas eu fiquei mais presente.
Durante a tarde, li uma frase que dizia: "A mente é como água. Quando está calma, reflete tudo claramente." Não sei de quem é, mas ficou comigo. Passei o resto do dia a observar quando a minha mente estava agitada e quando estava mais quieta. Não para a julgar, apenas para notar. Nos momentos calmos, as decisões pareciam mais simples. Nos agitados, tudo parecia urgente e confuso.
À noite, sentei-me à mesa e fiz uma pequena experiência: escrevi durante cinco minutos sem parar, sem pensar, apenas deixando as palavras saírem. Escrevi coisas sem sentido, pensamentos soltos, frases incompletas. E percebi algo — quando não tento controlar tanto, aparecem ideias que nem sabia que estavam lá. É como se a mente precisasse de espaço para respirar também.
Talvez esta semana possas experimentar isto: escolhe um momento do teu dia e faz apenas uma coisa. Não uma coisa importante — pode ser lavar a louça, caminhar até à esquina, beber um copo de água. Só isso, com toda a atenção. Sem telemóvel, sem pensar no que vem a seguir. Depois repara: o que mudou? Não precisa de ser grande. Às vezes, o mais pequeno é o mais claro.
Que pergunta te farias hoje se soubesses que não há resposta errada?
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