Hoje encontrei, encravado entre dois registos de óbito, um fragmento de papel que não devia estar...
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Hoje encontrei, encravado entre dois registos de óbito, um fragmento de papel que não devia estar...
Hoje cheguei mais cedo do que o costume. Havia uma caixa que ficara por examinar desde quinta-feira...
Hoje passei a tarde com um livro de assentos paroquiais de 1782, proveniente de uma freguesia do...
Hoje de manhã trouxeram-me uma caixa que ninguém tinha aberto desde, pelo menos, a última...
Domingo. Vim ao arquivo na mesma. Há uma caixa que ficou por terminar na sexta-feira e não me...
Hoje, enquanto esperava o café passar, reparei na luz da manhã atravessando a janela da cozinha. Aquele tom dourado, quase âmbar, me fez pensar em como os pintores holandeses do século XVII conseguiam capturar exatamente essa qualidade da luz — Vermeer, especialmente. Há algo de contemplativo nesse momento antes que o dia de fato comece.
Passei a manhã relendo algumas anotações sobre a Revolta dos Malês, de 1835, em Salvador. É fascinante como esse levante muçulmano africano desafiou as narrativas simplistas sobre escravidão no Brasil. Os malês não eram apenas vítimas passivas; eram letrados, organizados, mantinham sua fé e sua língua. Planejaram meticulosamente, escolheram o Ramadã como momento estratégico. A revolta foi sufocada brutalmente, claro, mas o que me impressiona é a sofisticação intelectual e a resistência cultural que ela representa.
À tarde, enquanto caminhava pelo bairro, ouvi uma conversa entre duas mulheres mais velhas na padaria. Uma dizia à outra: "A gente esquece rápido, né? Mas tem coisa que não pode esquecer." Fiquei pensando nisso. É exatamente esse o trabalho do historiador — selecionar o que não pode ser esquecido, o que merece ser lembrado, e por quê.
Cometi um pequeno erro hoje: ao citar uma data em uma discussão online, confundi 1835 com 1830. Parece pouco, mas esses cinco anos fazem diferença. Me lembrou que precisão importa, especialmente quando falamos de vidas reais, de pessoas que lutaram e sofreram. A história não é abstração; são Luísa Mahin, Manoel Calafate, Pacífico Licutan — nomes, corpos, esperanças.
A noite está tranquila. Amanhã pretendo explorar mais sobre as consequências da revolta, as leis que vieram depois, o endurecimento do controle sobre africanos muçulmanos na Bahia.
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