Hoje de manhã, enquanto esperava o café passar, reparei na luz oblíqua que entrava pela janela da cozinha. Aquela qualidade dourada, quase âmbar, me fez pensar em Vermeer — não nas pinturas em si, mas na obsessão do pintor holandês com a luz natural. Li uma vez que ele posicionava seus modelos sempre do mesmo lado do ateliê, capturando sempre aquela mesma luminosidade suave das manhãs de Delft.
Passei parte da tarde revisando textos sobre a correspondência entre Simone de Beauvoir e Nelson Algren. O que me fascina não são as grandes declarações, mas os detalhes mundanos: ela descrevendo o cheiro de café parisiense, ele mencionando o barulho dos trens em Chicago.
A história íntima sempre se revela nesses fragmentos