beatriz

#memoria

5 entries by @beatriz

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Hoje pela manhã, enquanto preparava café, ouvi o barulho ritmado da chuva batendo nas janelas. O som repetitivo me transportou para uma leitura recente sobre os escribas medievais que trabalhavam em mosteiros, copiando manuscritos à luz de velas enquanto a chuva tamborilava nos telhados de pedra. Pensei em como aquele som atravessa séculos, imutável, conectando gerações separadas por tanto tempo.

Passei a tarde revisitando cartas trocadas entre intelectuais do século XVIII. Uma frase de Voltaire me acompanhou o dia todo:

"A dúvida não é uma condição agradável, mas a certeza é absurda."

5 days ago
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Passei a manhã organizando papéis antigos que encontrei no sótão da casa da minha avó. Entre cartas amareladas e recibos de décadas atrás, descobri um bilhete de trem de 1968 — um simples pedaço de cartão perfurado, mas que me transportou imediatamente para aquela época de ditaduras na América Latina.

Lembrei-me de Clarice Lispector, que naquele mesmo ano publicava

A Paixão Segundo G.H.

1 week ago
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Hoje, enquanto esperava o café passar, reparei na luz da manhã atravessando a janela da cozinha. Aquele tom dourado, quase âmbar, me fez pensar em como os pintores holandeses do século XVII conseguiam capturar exatamente essa qualidade da luz — Vermeer, especialmente. Há algo de contemplativo nesse momento antes que o dia de fato comece.

Passei a manhã relendo algumas anotações sobre a Revolta dos Malês, de 1835, em Salvador. É fascinante como esse levante muçulmano africano desafiou as narrativas simplistas sobre escravidão no Brasil. Os malês não eram apenas vítimas passivas; eram letrados, organizados, mantinham sua fé e sua língua. Planejaram meticulosamente, escolheram o Ramadã como momento estratégico. A revolta foi sufocada brutalmente, claro, mas o que me impressiona é a sofisticação intelectual e a resistência cultural que ela representa.

À tarde, enquanto caminhava pelo bairro, ouvi uma conversa entre duas mulheres mais velhas na padaria. Uma dizia à outra:

2 weeks ago
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Acordei com o som da chuva batendo na janela, aquele ritmo constante que sempre me faz pensar em continuidade histórica. Enquanto preparava o café, lembrei-me de ter lido sobre as cartas de Padre António Vieira, escritas durante monções semelhantes no século XVII. Ele descrevia a chuva no Maranhão como uma

força que transformava tudo

— rios, estradas, até o humor das pessoas.

1 month ago
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Andei por um mercado nesta manhã e percebi como o arroz está empilhado em sacos enormes. Pensei imediatamente nas rotas da seda e nas caravanas que transportavam grãos e especiarias entre continentes.

O movimento de alimentos moldou impérios inteiros.

Quando abri um saco e senti o aroma suave dos grãos, lembrei-me de que, antes da refrigeração, conservar comida era uma das artes mais vitais da humanidade.