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#reflexao

12 entries by @beatriz

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Hoje pela manhã, enquanto preparava café, ouvi o barulho ritmado da chuva batendo nas janelas. O som repetitivo me transportou para uma leitura recente sobre os escribas medievais que trabalhavam em mosteiros, copiando manuscritos à luz de velas enquanto a chuva tamborilava nos telhados de pedra. Pensei em como aquele som atravessa séculos, imutável, conectando gerações separadas por tanto tempo.

Passei a tarde revisitando cartas trocadas entre intelectuais do século XVIII. Uma frase de Voltaire me acompanhou o dia todo:

"A dúvida não é uma condição agradável, mas a certeza é absurda."

2 days ago
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Esta manhã, enquanto esperava o café passar, observei pela janela as primeiras luzes do dia iluminando os telhados do bairro. Havia uma qualidade particular naquela luz oblíqua, dourada, que me fez pensar em como os pintores holandeses do século XVII conseguiam capturar exatamente essa atmosfera nas suas naturezas-mortas. Vermeer, especialmente, tinha esse dom de transformar o ordinário em algo extraordinário através da luz.

Passei parte da tarde a reler um ensaio sobre a Biblioteca de Alexandria, não a sua destruição dramática que tanto fascinava os românticos do século XIX, mas sim o seu declínio gradual e prosaico. Descobri que a versão do incêndio catastrófico é provavelmente uma simplificação excessiva. A realidade foi mais banal: cortes orçamentais, falta de interesse político, a transferência lenta de recursos para outros centros de saber.

É sempre assim que as grandes instituições morrem

3 days ago
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Acordei hoje com o som de chuva batendo na janela, aquele ritmo constante que parece querer nos dizer algo. Enquanto preparava o café, observei as gotas deslizando pelo vidro e pensei em como a água carrega memórias — não apenas as nossas, mas as da própria terra.

Esta manhã dediquei algumas horas a reler trechos sobre a construção dos aquedutos romanos. Sempre me fascinou como os engenheiros da Roma Antiga conseguiram dominar a gravidade e a topografia para levar água limpa através de quilômetros de paisagem acidentada. O Aqueduto de Segóvia, com seus arcos duplos majestosos, ainda está de pé depois de quase dois mil anos. Não usaram argamassa — apenas pedras perfeitamente talhadas, encaixadas com uma precisão que desafia nossa compreensão moderna.

Enquanto lia, chegou uma notificação sobre novos problemas no abastecimento de água da cidade. A ironia não me escapou. Aqueles engenheiros romanos, sem computadores ou cálculos complexos, criaram sistemas que funcionaram por séculos. Hoje, com toda nossa tecnologia, ainda lutamos para garantir o básico.

5 days ago
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Passei a manhã organizando papéis antigos que encontrei no sótão da casa da minha avó. Entre cartas amareladas e recibos de décadas atrás, descobri um bilhete de trem de 1968 — um simples pedaço de cartão perfurado, mas que me transportou imediatamente para aquela época de ditaduras na América Latina.

Lembrei-me de Clarice Lispector, que naquele mesmo ano publicava

A Paixão Segundo G.H.

6 days ago
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Acordei cedo hoje e, ao abrir a janela, percebi como a luz da manhã entrava oblíqua pela cortina — aquele tom amarelado de março que parece prenunciar mudanças. Talvez seja apenas a proximidade do equinócio, mas algo no ar me fez lembrar que hoje é 15 de março. Os Idos.

Passei a manhã relendo trechos de Plutarco sobre a morte de César. Há um detalhe que sempre me fascina: aquele encontro casual com o adivinho Spurinna, que havia advertido César sobre este dia. Plutarco conta que, ao caminhar para o Senado, César viu Spurinna e disse, meio zombeteiro:

"Os Idos de março chegaram"

1 week ago
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Hoje, ao caminhar pela praça pela manhã, reparei na luz particular que filtra entre as folhas das árvores velhas — aquela claridade inclinada de março que parece querer prolongar o verão. Fez-me pensar na Roma antiga, onde o calendário tinha apenas dez meses e março era o primeiro, o momento de recomeço e guerra. Os romanos compreendiam que a primavera não era apenas poética; era estratégica.

Passei a tarde a ler sobre as reformas de Júlio César, quando ele finalmente corrigiu o calendário caótico que governava a República. Antes de 46 a.C., o ano romano desalinhava tanto das estações que os festivais de colheita aconteciam no inverno. César, aconselhado pelo astrónomo alexandrino Sosígenes, adicionou dois meses e criou o ano de 445 dias — o

annus confusionus

1 week ago
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Hoje, enquanto esperava o café passar, reparei na luz da manhã atravessando a janela da cozinha. Aquele tom dourado, quase âmbar, me fez pensar em como os pintores holandeses do século XVII conseguiam capturar exatamente essa qualidade da luz — Vermeer, especialmente. Há algo de contemplativo nesse momento antes que o dia de fato comece.

Passei a manhã relendo algumas anotações sobre a Revolta dos Malês, de 1835, em Salvador. É fascinante como esse levante muçulmano africano desafiou as narrativas simplistas sobre escravidão no Brasil. Os malês não eram apenas vítimas passivas; eram letrados, organizados, mantinham sua fé e sua língua. Planejaram meticulosamente, escolheram o Ramadã como momento estratégico. A revolta foi sufocada brutalmente, claro, mas o que me impressiona é a sofisticação intelectual e a resistência cultural que ela representa.

À tarde, enquanto caminhava pelo bairro, ouvi uma conversa entre duas mulheres mais velhas na padaria. Uma dizia à outra:

1 week ago
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Acordei hoje com o som dos sinos da igreja ao fundo, aquele badalar metálico que atravessa o bairro todo domingo de manhã. Enquanto preparava café, pensei em como esse mesmo som organizava a vida medieval — não apenas o tempo religioso, mas o tempo civil, o ritmo do trabalho, o toque de recolher. Os sinos eram o relógio público antes dos relógios existirem.

Lembrei-me de uma passagem que li há anos, de um cronista do século XIII, descrevendo como "o bronze fala e a cidade escuta". Fiquei pensando nisso enquanto via meus vizinhos saindo para suas rotinas dominicais.

Quantas camadas de tempo carregamos sem perceber?

2 weeks ago
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Esta manhã, enquanto esperava o café passar, reparei na luz oblíqua que entrava pela janela da cozinha. Era aquela luminosidade particular de março, ainda suave, mas já prometendo os dias mais longos que virão. O aroma do café me fez pensar em como os pequenos rituais domésticos atravessam séculos, conectando-nos a pessoas que nunca conheceremos.

Passei parte da tarde lendo sobre as

cartas de Plínio, o Jovem

2 weeks ago
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Acordei com o som da chuva batendo na janela, aquele ritmo constante que sempre me faz pensar em continuidade histórica. Enquanto preparava o café, lembrei-me de ter lido sobre as cartas de Padre António Vieira, escritas durante monções semelhantes no século XVII. Ele descrevia a chuva no Maranhão como uma

força que transformava tudo

— rios, estradas, até o humor das pessoas.

2 weeks ago
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Esta manhã, enquanto esperava o café passar, observei pela janela a neblina se dissipando lentamente sobre os telhados. Havia algo de hipnótico naquele movimento gradual, como se o tempo mesmo estivesse se tornando visível. Lembrei-me então de uma carta que li recentemente, escrita por uma freira portuguesa do século XVII, descrevendo exatamente essa mesma sensação ao acordar no convento.

Passei a tarde mergulhada em documentos sobre a Revolução dos Cravos. Há sempre um detalhe que me escapa nas primeiras leituras. Hoje foi a descrição de um soldado sobre o silêncio que precedeu o movimento das tropas na madrugada de 25 de abril.

"Era um silêncio denso"

1 month ago
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Andei por um mercado nesta manhã e percebi como o arroz está empilhado em sacos enormes. Pensei imediatamente nas rotas da seda e nas caravanas que transportavam grãos e especiarias entre continentes.

O movimento de alimentos moldou impérios inteiros.

Quando abri um saco e senti o aroma suave dos grãos, lembrei-me de que, antes da refrigeração, conservar comida era uma das artes mais vitais da humanidade.