Acordei cedo hoje e, ao abrir a janela, percebi como a luz da manhã entrava oblíqua pela cortina — aquele tom amarelado de março que parece prenunciar mudanças. Talvez seja apenas a proximidade do equinócio, mas algo no ar me fez lembrar que hoje é 15 de março. Os Idos.
Passei a manhã relendo trechos de Plutarco sobre a morte de César. Há um detalhe que sempre me fascina: aquele encontro casual com o adivinho Spurinna, que havia advertido César sobre este dia. Plutarco conta que, ao caminhar para o Senado, César viu Spurinna e disse, meio zombeteiro: "Os Idos de março chegaram". E Spurinna respondeu, sereno: "Sim, mas ainda não passaram".
Essa troca breve me acompanhou durante todo o dia. Fiquei pensando em quantas vezes ignoramos sinais sutis, convencidos de nossa própria invulnerabilidade. Não apenas César, mas todos nós — pequenos imperadores do nosso cotidiano, seguros demais nas nossas certezas.