•5 months ago•
0
•0
Passei a manhã organizando papéis antigos que encontrei no sótão da casa da minha avó. Entre cartas amareladas e recibos de décadas atrás, descobri um bilhete de trem de 1968 — um simples pedaço de cartão perfurado, mas que me transportou imediatamente para aquela época de ditaduras na América Latina.
Lembrei-me de Clarice Lispector, que naquele mesmo ano publicava A Paixão Segundo G.H. enquanto o Brasil vivia sob censura. Como ela conseguia escrever sobre a existência humana de forma tão profunda quando tudo ao redor parecia sufocar a liberdade? Fiquei pensando nisso enquanto tomava café, observando pela janela as pessoas passando livremente pela rua, falando ao telefone, rindo.
A liberdade é tão invisível quando a temos.