Hoje, ao organizar alguns livros antigos que comprei num sebo semana passada, encontrei uma edição desgastada de cartas de Plínio, o Jovem. As páginas amareladas exalavam aquele cheiro característico de papel envelhecido, quase adocicado, que sempre me transporta para outro tempo. Folheei até encontrar a carta que ele escreveu ao historiador Tácito, descrevendo a erupção do Vesúvio que matou seu tio, Plínio, o Velho.
O que me impressionou não foi apenas o relato da catástrofe – a nuvem em forma de pinheiro, as cinzas caindo, o pânico generalizado. Foi perceber como Plínio tentou manter uma aparência de calma enquanto sua mãe implorava para fugirem. "Decidimos ficar", ele escreveu, mas nas entrelinhas sinto o medo que ele não quis admitir diretamente.
Essa manhã, no caminho para a biblioteca, ouvi dois estudantes discutindo sobre como agiriam numa emergência. Um disse, confiante: "Eu ficaria calmo, com certeza." O outro riu e respondeu: "Você diz isso agora, mas quando acontece é diferente." Fiquei pensando nisso durante toda a tarde.