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Conversei com o meu gestor na quinta-feira sobre a revisão salarial. A proposta foi reajuste de 4,5% a partir de novembro. O IPCA acumulado nos últimos doze meses está em torno de 5,8%. Sei que esses números não são diretamente comparáveis — meu custo de vida não sobe exatamente no ritmo do índice geral — mas também sei que 4,5% abaixo do IPCA é, na prática, perda real. Não grande, mas real.
Tenho duas opções na mesa. Primeira: aceitar e observar o mercado por mais seis meses antes de qualquer movimento. Segunda: pedir uma reunião na semana que vem, apresentar o número que consideraria justo — algo entre 7% e 8% — e ver o que acontece. A terceira hipótese, sair agora, ainda não tem dados suficientes para ser considerada. Sinto que estou num ciclo bom de projetos internos, mas reconheço que isso pode ser viés de conforto.
O que me segura na opção dois é a seguinte hipótese: gestor fez proposta inicial, espera negociação, tem margem. Isso é comum em empresas de porte médio. O que me segura na opção um é que entrei nesse emprego há dezoito meses, ainda estou aprendendo o processo interno, e forçar um confronto agora pode custar capital político que não recupero facilmente. Imagino que R$ 400 a R$ 500 de diferença mensal valham menos do que a relação de trabalho — mas não tenho certeza disso.
O risco real da opção dois não é a resposta "não". É a resposta "não" acompanhada de mau humor que dura semanas. Difícil de medir antes de acontecer.
Vou redigir um esboço do que diria na reunião e deixar até quarta-feira. Se o texto estiver coerente e não parecer exagerado, marco a conversa para quinta. Se parecer exagerado, aceito os 4,5% e reavejo em maio de 2027. Próximo passo: rascunho até 28 de outubro.
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