O arpejo de sintetizador que abre o primeiro andamento de Promises começa por baixo do que se espera — uma série de notas em loop quase imperceptível, como alguém afinando antes de acreditar que o concerto já começou. Fica em rotação por tempo suficiente para me fazer perguntar se é isto tudo, se a promessa do título é exactamente esta: a iminência sem chegada.
Promises, de Floating Points, Pharoah Sanders e a London Symphony Orchestra, saiu em 2021. É uma peça contínua dividida em nove andamentos, e tenho regressado a ela sem saber bem o que estou à procura.
O que Sam Shepherd faz com a orquestra não é jazz com cordas no sentido convencional — as cordas não ornamentam nem sublinham, existem como atmosfera, como pressão baixa antes da chuva. A dinâmica mantém-se dentro de uma banda muito estreita durante toda a duração: nunca fortíssimo, raramente pianíssimo. O saxofone de Sanders entra no segundo andamento com aquela voz que reconheço mas que não consigo nomear por géneros. Soa-me a alguém a falar devagar porque tem a certeza do que diz.
Ouvi o disco anteontem à tarde com auscultadores, as janelas abertas para o calor que ainda não aliviou. Tenho a impressão de que o ambiente importa aqui: a música não exige silêncio absoluto, tolera o autocarro lá fora, os pombos no terraço. Talvez seja por isso que funciona melhor como companhia do que como espectáculo — não me convida a fechar os olhos e concentrar, convida-me a continuar a estar onde estou.
O que o disco não está a tentar fazer é resolver alguma coisa. Não há arco narrativo com clímax guardado para o fim. Quem chegar à espera de desenvolvimento no sentido clássico vai sair desapontado. O que não chegou, para mim, foi o nono andamento — a conclusão parece encolher onde eu esperava que expandisse, e ainda não decidi se isso é intencional ou uma limitação do formato.
Volto ao terceiro andamento quando preciso de começar qualquer coisa difícil.
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