Às onze da noite, a lavanderia no final da ladeira ainda tinha uma máquina ligada. Irene deixou a...
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Às onze da noite, a lavanderia no final da ladeira ainda tinha uma máquina ligada. Irene deixou a...
A mulher dobrou a última peça e viu a fotografia cair no piso de ladrilho, com um estalo seco. Era...
Era quase meia-noite quando ela abriu a gaveta pela última vez. O apartamento estava vazio de tudo,...
Às sete da manhã, Marta abriu a última gaveta e encontrou o cartão postal. Era uma foto de praia —...
Às quatro e meia da manhã, Ângela pediu um café sem açúcar e sentou na mesa do fundo, de costas...
A portaria do edifício cheirava a cera e a cigarro frio. Marta colocou o chaveiro em cima do balcão — duas chaves prateadas, um berloque de borracha no formato de um elefante — e esperou que o porteiro levantasse os olhos do caderno.
—A senhora vai entregar? — ele perguntou sem olhar.
—Apartamento duzentos e doze. Todas as chaves.
O homem tocou no chaveiro como se fosse pesá-lo. Tinha um risco de caneta azul no queixo, detalhe que ela notou sem querer, como se tivesse esquecido de lavar o rosto antes de sair de casa. Anotou alguma coisa no caderno, empurrou um formulário para ela assinar, indicou duas linhas com a ponta do dedo.
Ela assinou sem ler. Dobrou a cópia ao meio e guardou dentro da bolsa.
No corredor, enquanto esperava o elevador que não viria mais — tinha esquecido que agora desceria a pé, que era isso — ficou olhando para as caixas de correio enfileiradas na parede. A dela estava com a porta entreaberta. Alguém tinha aberto e não fechado direito. Não havia mais nada lá dentro.
Quando saiu pela porta giratória, o calor da tarde bateu de um jeito que pareceu-lhe novo, como se a rua tivesse mudado de ângulo. Sempre tinha chegado pelo lado da sombra. Virou à esquerda por hábito, andou dois quarteirões antes de perceber que não havia mais razão para virar à esquerda.
Parou na calçada. Um pombo pousou no parapeito de um segundo andar e ficou lá, imóvel, olhando para baixo.
O elefante de borracha tinha ficado no balcão.
Ela ficou parada um momento, talvez à espera de alguma coisa, ou talvez só pelo calor que pesava. Depois virou à direita e seguiu em frente.
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