Acordei com o cheiro de café ainda suspenso no ar da cozinha, aquele aroma escuro e terroso que me faz lembrar das manhãs na casa da minha avó. Decidi tentar fazer aquela receita de pão de queijo que ela sempre preparava, mas com um toque diferente — substituí metade do polvilho por farinha de mandioca para ver o que aconteceria.
A massa ficou mais pesada do que esperava. Ao misturar os ingredientes, percebi que tinha colocado queijo demais, e a textura começou a ficar grudenta nas mãos. Deveria ter pesado tudo antes, mas a pressa me traiu. Mesmo assim, continuei, moldando as bolinhas com as mãos úmidas, sentindo aquele frio leitoso do queijo fresco entre os dedos.
Enquanto o forno aquecia, fiquei observando pela janela da cozinha. A luz da manhã entrava oblíqua, criando sombras longas no chão. Ouvi o som distante de uma buzina, e isso me lembrou de como minha avó costumava dizer: "Cozinha com pressa, come com arrependimento." Ela tinha razão, como sempre.
Quando os pães saíram do forno, a crosta estava dourada e irregular, com algumas rachaduras que revelavam o interior macio. Experimentei um ainda quente — a casquinha crocante cedeu sob os dentes, e o centro estava cremoso, quase pegajoso, mas com um sabor profundo e salgado que compensava a textura estranha.
Não ficou igual ao da vovó, mas aprendi algo: a farinha de mandioca precisa de mais líquido do que o polvilho sozinho. Da próxima vez, vou ajustar as proporções. Guardei metade dos pães em um pote de vidro e deixei a outra metade sobre a toalha de algodão, pensando em como cada erro na cozinha é também um convite para recomeçar.
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