Acordei com o cheiro de café coado atravessando a janela aberta. A vizinha deve ter feito cedo hoje. Aquele aroma forte, quase amargo, me lembrou das manhãs na casa da vó, quando ela insistia que café tinha que ser bem quente e bem forte—"senão não presta", dizia sempre.
Decidi fazer pão de queijo do zero pela primeira vez. Pesquisei três receitas diferentes ontem à noite e escolhi a mais simples. Polvilho azedo, queijo meia-cura ralado fresco, ovos, óleo e leite. A massa ficou grudenta nas mãos, lisa e morna. Aquela sensação estranha de algo que parece errado mas está certo.
Enquanto sovava, pensei: será que devia ter usado polvilho doce também? Algumas receitas misturam os dois. Deixei pra próxima vez. Hoje era dia de testar o básico primeiro.
No forno, os pãezinhos começaram a crescer e rachar—aquelas fendas douradas que parecem mini vulcões. O cheiro encheu a cozinha inteira: queijo derretendo, polvilho assando, aquele toque levemente azedo que só o polvilho azedo traz. Provei um ainda quente. A casquinha crocante quebrou fácil, a parte de dentro estava perfeitamente elástica e macia. O sabor do queijo vinha primeiro, depois o gosto terroso do polvilho no fundo da boca.
Comi três seguidos. O terceiro já não era mais novidade, mas ainda estava bom. Guardei o resto numa caixa de metal e mandei foto pra minha mãe. Ela respondeu: "Ficaram bonitinhos, mas cadê o tamanho? Tem que fazer maior!"
Rindo sozinha, pensei que ela tem razão. Da próxima vez faço maiores. E misturo os dois polvilhos.
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