Saí de Ramos querendo chegar até Olaria passando pela orla da Baía. Simples. Eram uns quatro...
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Saí de Ramos querendo chegar até Olaria passando pela orla da Baía. Simples. Eram uns quatro...
Saí pela Cinelândia com a intenção de subir até Santa Teresa e voltar pela Lapa. Simples assim, no...
Saí pela saída de trás da Central, a que dá para a Rua Senador Pompeu, porque achei que era mais...
Saí do Largo do Machado com um plano razoável: subir até Santa Teresa pela Rua Aprazível,...
Saí da estação do Méier com a intenção de ir até a Rua Aristides Caire, que tinha marcado no...
Acordei cedo demais para um sábado, mas decidi aproveitar e caminhar pelo centro histórico antes das multidões chegarem. A luz da manhã tinha aquela qualidade dourada que só existe antes das nove, iluminando as fachadas coloniais de um jeito que faz a gente entender por que os fotógrafos acordam na madrugada.
Passei por uma padaria onde o cheiro de pão fresco competia com o aroma de café coado. Uma senhora varria a calçada com uma dedicação quase religiosa, movendo a vassoura em ritmo constante. Será que ela sabe que está criando uma pequena performance matinal? pensei, enquanto desviava das poças de água com sabão que formavam pequenos arco-íris no chão.
No mercado municipal, um vendedor de frutas organizava suas laranjas em pirâmides perfeitas. "Tá fotografando ou comprando?", ele perguntou, meio sério, meio brincando, quando percebeu que eu parava demais na frente de cada banca. Comprei três maçãs só para não parecer um turista completo na minha própria cidade – uma pequena taxa pelo privilégio de observar.
Tentei um experimento hoje: caminhar sem fones de ouvido. Descobri que a cidade tem uma trilha sonora própria – motores de scooters, conversas sobrepostas, o arrastar de grades metálicas sendo abertas. É caótico, mas tem um ritmo. Passei anos bloqueando esses sons, e agora percebo que estava perdendo metade da experiência.
No caminho de volta, reparei em um grafite novo na Rua da Alfândega: uma garça azul gigante olhando para baixo, como se julgasse os pedestres apressados. A ironia não passou despercebida – eu mesmo estava checando o relógio, ansioso para voltar e "ser produtivo", como se observar a cidade não fosse produtivo o suficiente.
Talvez amanhã eu teste caminhar sem relógio. Será que consigo?
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