Saí de Largo do Machado às nove e pouco, com a intenção vaga de subir até Santa Teresa por alguma das escadarias que tenho marcado há meses no caderno e nunca de fato visitei. Na esquina desceu um ônibus na minha frente — o 572, indo na direção errada — o que seria um sinal claro, se eu soubesse ler sinais.
A escadaria do Morro dos Cabritos começa bem: calçada larga, sombra de árvore. Vai ficando mais inclinada do que parece do início, e a cidade vai sumindo para trás em pedaços. Parei num patamar onde uma parede de reboco descascado mostrava três camadas de cor: um azul antigo embaixo de um amarelo ainda mais antigo, e em cima tudo um branco que estava cedendo pelas bordas. Alguém nessa família de paredes tomou muitas decisões ao longo de muito tempo. Fiquei olhando tempo demais, sem conseguir explicar por quê, e depois continuei.
Cheguei ao Largo dos Guimarães com as pernas já ensaiando reclamações educadas. Entrei num botequim sem nome visível — ou tinha nome e eu simplesmente não vi — e pedi um café. Veio num copo pequeno de vidro, forte e já adoçado, que é exatamente como eu não gosto. Não disse nada porque o balcão estava cheio e o barulho era bom e às vezes a situação decide por você. Tomei em dois goles.