Saí do metrô na Praça Onze com a ideia vaga de chegar à Leopoldina a pé — não pela linha expressa, mas pelos fundos, cortando o Caju. Não sei bem por que escolhi esse trajeto. Talvez fosse o nome: Caju. Parece um bairro que merece ser visitado com calma, e não só de carro na velocidade do viaduto.
O problema é que saí pela saída errada, que me depositou olhando para o Campo de Santana em vez de para a Radial Oeste. Andei dois quarteirões na direção oposta antes de perceber que o sol estava do lado errado. Corrigi o rumo sem pressa, como se fosse intencional — que é o único jeito digno de errar em público.
Na Rua Major Ávalo, ou se não me engano numa paralela bem parecida, tinha uma padaria com letreiro pintado direto na parede, letras garrafais em azul que um dia foram escuras e agora estão pálidas como céu de manhã cedo. O estilo era dos anos oitenta, aquela serifa grossa que ninguém usa mais mas que assentava bem no cimento desbotado. A porta estava aberta, o ventilador ligado, e alguém lá dentro chacoalhava um liquidificador com bastante determinação.