A Praça dos Pequenos Segredos fica escondida entre dois prédios cinzentos, e hoje decidi testá-la em três horários diferentes. Manhã: pombos e anciãos no banco de madeira. Meio-dia: vazia, sol direto demais. Fim da tarde: crianças perseguindo um gato laranja que claramente estava acostumado com a atenção.
O gato parou debaixo do bebedouro quebrado e olhou para mim como se dissesse "você de novo?" — juro que já nos esbarramos três vezes esta semana. Uma menina de uns seis anos gritou para a amiga: "Ele não foge porque sabe que aqui é dele!" Fiquei pensando nisso. Quantos lugares na cidade realmente pertencem aos que os habitam, e não aos que os projetaram?
Sentei no mesmo banco da manhã. A madeira estava quente, cheiro de verniz velho misturado com folhas úmidas embaixo. Um homem passou vendendo picolés de carrinho, mas não comprei — ainda estou testando se consigo resistir a todas as tentações ambulantes de março. (Spoiler: não consigo.)