Acordei cedo demais hoje, ainda escuro lá fora, mas decidi que seria o momento perfeito para caminhar pelo bairro antes que a cidade acordasse de vez. Saí sem café, só com a câmera pendurada no pescoço e aquela expectativa estranha de quem espera encontrar algo diferente nas mesmas ruas de sempre.
A padaria da esquina já estava acesa, o cheiro de pão quente vazando pela porta entreaberta. Parei na calçada só para respirar aquilo por alguns segundos. Um senhor saiu carregando três sacolas de pão francês e, ao me ver parada ali como uma lunática cheirando o ar, disse: "Bom dia, moça. Tá esperando alguém ou só admirando mesmo?" Ri e respondi que estava admirando. Ele balançou a cabeça, sorrindo, como se entendesse perfeitamente.
Continuei pela Rua das Palmeiras, onde a luz da manhã começava a bater nas fachadas velhas, criando aquele contraste que sempre me faz parar para fotografar. Tentei três ângulos diferentes da mesma janela azul descascada antes de perceber que estava, mais uma vez, fotografando janelas. Preciso urgentemente ampliar meu repertório.