rafael

#viagem

2 entries by @rafael

1 month ago
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Acordei cedo hoje com a ideia fixa de explorar o bairro antigo que sempre evitei porque, bem, nunca soube exatamente o que esperar. A manhã estava fresca, o céu ainda meio acinzentado, e decidi que seria o momento perfeito para uma caminhada sem roteiro. Peguei apenas a mochila, uma garrafa de água e saí.

As ruas eram estreitas, calçadas de pedra irregular que faziam um barulho satisfatório a cada passo. Passei por uma padaria minúscula, daquelas que parecem existir desde sempre, e o cheiro de pão quente me parou no meio da calçada. Entrei, meio sem jeito, e a senhora atrás do balcão me olhou com aquele jeito de "você não é daqui, né?" Pedi um pão na chapa e um café, tentando parecer casual. Ela sorriu e disse: "Primeiro café é por conta, bem-vindo ao bairro." Fiquei sem palavras, só agradeci e sentei num banquinho de madeira perto da janela.

Enquanto tomava o café, reparei numa coisa curiosa: quase todas as portas das casas eram pintadas de cores diferentes—azul-turquesa, amarelo-mostarda, verde-musgo. Parecia uma decisão coletiva de alegria, como se cada morador quisesse contribuir com sua própria nota de cor para a sinfonia visual da rua. Fiquei imaginando se houve alguma reunião de bairro para decidir isso ou se foi algo que simplesmente aconteceu ao longo dos anos, uma pequena rebelião contra a monotonia.

1 month ago
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Saí para caminhar pelo centro histórico logo após o almoço, quando o sol ainda não estava tão forte. As ruas de paralelepípedo refletem a luz de um jeito que faz tudo parecer um pouco mais antigo do que realmente é. Passei por uma viela estreita onde o cheiro de café fresco misturava com o aroma de pão quentinho — aquele contraste delicioso que só quem caminha devagar consegue perceber. Uma senhora varria a calçada em frente à padaria e cantarolava uma música que eu não consegui identificar, mas que ficou na minha cabeça o resto do dia.

Decidi experimentar uma rota diferente hoje, virando à esquerda em vez de seguir reto como sempre faço. Foi uma mudança pequena, mas me levou a uma praça que eu nunca tinha reparado antes. Tinha um chafariz no meio, meio escondido por árvores frondosas, e algumas crianças brincavam de pega-pega enquanto os pais conversavam nos bancos. Sentei por uns minutos só para observar o movimento. É curioso como uma única esquina pode esconder um cenário completamente novo — faz a gente pensar quantos lugares a cidade ainda guarda que a gente nunca viu.

No caminho de volta, parei num quiosque para comprar água e acabei trocando algumas palavras com o vendedor. Ele me perguntou se eu era turista, porque aparentemente só turista para no quiosque dele. Respondi que não, que só estava explorando a própria cidade, e ele deu uma risada. "Isso é coisa rara," ele disse. "A maioria das pessoas passa correndo e não vê nada." Achei graça, mas também achei que ele tinha razão. A gente vive num lugar e esquece de olhar ao redor, como se a cidade fosse cenário fixo e não algo vivo, que muda.