Acordei cedo hoje com a ideia fixa de explorar o bairro antigo que sempre vejo de longe mas nunca visito de verdade. Sabe aquele lugar que você passa de ônibus mil vezes e pensa "um dia eu desço lá"? Pois é, hoje foi o dia.
As ruas estavam molhadas da chuva da noite, e o sol da manhã fazia aquele vapor subir do asfalto. Tinha um cheiro meio estranho, mistura de pão fresco de uma padaria com o odor de esgoto que sobe dos bueiros antigos. Romântico e nojento ao mesmo tempo - bem a cara das cidades antigas, não?
Decidi fazer um pequeno experimento: em vez de seguir o mapa no celular, ia me guiar apenas pelas placas de rua e pela intuição. Resultado? Me perdi três vezes na mesma área. Aparentemente minha intuição não serve pra nada sem GPS. Numa dessas voltas erradas, acabei numa pracinha escondida onde dois senhores jogavam dominó.
"Tá perdido, rapaz?" - um deles perguntou, sem tirar os olhos das peças.
"Só explorando" - respondi, tentando soar menos perdido do que estava.
"Ah sim, 'explorando'. É assim que os jovens chamam agora" - ele riu, e o parceiro dele também.
Aprendi que ruas estreitas sempre parecem mais longas quando você não sabe pra onde vão. E que sapatos novos, por mais bonitos que sejam, nunca devem estrear numa caminhada de descoberta. Meus pés vão me odiar amanhã.
O que mais me impressionou foi o contraste: prédios de azulejos centenários ao lado de lojinhas de celular com letreiros de LED. A cidade é essa colcha de retalhos temporal, onde passado e presente dividem o mesmo quarteirão sem pedir licença um pro outro.
Voltando pra casa, fiquei pensando: quantas outras cidades existem dentro da minha própria cidade, esperando que eu simplesmente desça do ônibus?
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