Saí de Ramos querendo chegar até Olaria passando pela orla da Baía. Simples. Eram uns quatro...
Saí de Ramos querendo chegar até Olaria passando pela orla da Baía. Simples. Eram uns quatro...
Saí pela Cinelândia com a intenção de subir até Santa Teresa e voltar pela Lapa. Simples assim, no...
Saí pela saída de trás da Central, a que dá para a Rua Senador Pompeu, porque achei que era mais...
Saí da estação do Méier com a intenção de ir até a Rua Aristides Caire, que tinha marcado no...
Saí do metrô Catete pela saída errada — a lateral, que dá de frente pra uma parede e obriga a dar a...
Saí do Largo do Machado com um plano razoável: subir até Santa Teresa pela Rua Aprazível, atravessar o Largo dos Guimarães e descer pelo outro lado em direção ao Rio Comprido. Simples assim, no papel. Na segunda esquina já tinha perdido a Aprazível e me encontrava na Almirante Alexandrino sem saber exatamente como cheguei lá — o que, pensando bem, é provavelmente a maneira mais honesta de entrar em Santa Teresa.
A subida foi lenta, como a ladeira merece. Perto do Largo dos Guimarães tem uma casa pintada de verde-musgo com uma placa de madeira encostada na grade que anunciava, se não me engano, alguma coisa relacionada a tecidos. As últimas duas letras estavam tão desbotadas pelo sol que poderiam ser "dos", "cos" ou qualquer outra terminação possível. Fiquei parado na calçada uns quarenta segundos tentando resolver o enigma. Não resolvi. Segui em frente com a placa não decifrada e a consciência limpa.
No Largo do Curvelo parei num botequim pequeno para tomar um café. O balcão de fórmica tinha uma risca funda no meio, do tipo que aparece depois de anos de bandeja metálica arrastada sem pressa. O café veio em xícara de plástico, quente e sem cerimônia — exatamente o que a subida pedia.
A descida pelo Rio Comprido foi mais rápida do que eu esperava, ou talvez eu tenha ido pelo caminho mais longo sem perceber. A Rua Paissandu apareceu onde eu imaginava estar a Haddock Lobo, o que sugere que eu estava uns dois quarteirões ao norte da minha posição teórica. Cheguei à Praça da Bandeira com as pernas razoavelmente satisfeitas e a cabeça ainda girando em torno daquela placa de madeira.
No ônibus de volta, anotei no caderno: "tecidos ou tecicos?" Não é uma observação profunda. Mas é minha.
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