Saí pela Cinelândia com a intenção de subir até Santa Teresa e voltar pela Lapa. Simples assim, no...
Saí pela Cinelândia com a intenção de subir até Santa Teresa e voltar pela Lapa. Simples assim, no...
Saí pela saída de trás da Central, a que dá para a Rua Senador Pompeu, porque achei que era mais...
Saí do Largo do Machado com um plano razoável: subir até Santa Teresa pela Rua Aprazível,...
Saí da estação do Méier com a intenção de ir até a Rua Aristides Caire, que tinha marcado no...
Saí do metrô Catete pela saída errada — a lateral, que dá de frente pra uma parede e obriga a dar a...
Saí de Ramos querendo chegar até Olaria passando pela orla da Baía. Simples. Eram uns quatro quilômetros no mapa — o mapa, é claro, não contou as duas vezes que tomei a rua errada nem o desvio de quinze minutos porque achei que a travessa à esquerda parecia mais interessante. Não era. Acabei numa rua sem saída atrás de um galpão que cheirava a verniz e óleo, o que não é necessariamente ruim, mas também não era Olaria.
O que me deteve mais tempo foi uma parede na Rua Uranos, um pouco depois da curva: uma persiana de ferro pintada de azul — um azul que já foi vibrante e agora é a versão cansada de si mesmo, quase cinza só na borda — e no centro, em letras brancas vazadas, a palavra CONSERTOS. Só isso. Nenhum horário, nenhum contato. Parece que quem precisava de conserto já sabia onde bater.
Parei num botequim sem placa visível lá pelo meio do caminho, pedi um café e um pão na chapa. O café chegou quente, o pão chegou murcho, mas o balcão tinha aquela altura boa que deixa a gente apoiar o cotovelo no ângulo exato. Tomei o café em três goles. Paguei cinco reais e meio, que me pareceu certo para aquele balcão e para aquele café.
A Rua Aristides Lobo tem uma ladeira curta que eu não esperava — curta o suficiente para trair a gente se estiver andando rápido. Errei o ângulo, deslizei levemente na pedra molhada e me segurei numa grade que estava mais firme do que aparentava. Assim seja.
Cheguei a Olaria com as pernas razoavelmente reclamando. Tomei um ônibus de volta e no trajeto escrevi no caderno: "persiana azul — consertos — sem horário". Não sei bem por quê. Às vezes a nota existe antes da ideia.
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