Acordei com o som da chuva batendo na janela. Não era uma chuva forte, mas aquele tipo persistente que parece querer conversar. Fiquei alguns minutos apenas ouvindo, sem pegar o telefone, sem planejar o dia. Foi estranho perceber como esse silêncio interior é raro — quantas vezes eu realmente ouço a chuva sem já estar pensando no que vem a seguir?
Depois do café, tentei meditar. Usei um timer de dez minutos, mas aos cinco já estava inquieto. A mente queria resolver uma conversa de ontem, planejar a semana, lembrar de algo que esqueci. Pensei em desistir, mas decidi ficar. Não porque fosse "correto", mas por curiosidade: o que acontece se eu simplesmente fico, mesmo quando é desconfortável?
O interessante foi notar que a inquietação não desapareceu. Ela continuou lá, como uma criança pedindo atenção. Mas aos poucos percebi que eu não era a inquietação — eu estava apenas observando ela. Essa distância pequena mudou tudo. Não resolvi nada, não alcancei nenhuma paz profunda. Mas senti que havia espaço entre mim e meus pensamentos.
À tarde, um amigo me perguntou: "Por que você medita? Funciona mesmo?" Eu ri, porque não tenho uma resposta pronta. Disse a ele que talvez seja menos sobre funcionar e mais sobre ver as coisas como elas são, sem tanto filtro. Ele pareceu confuso, e tudo bem. Cada um encontra suas próprias perguntas.
Agora, à noite, penso em propor algo simples: amanhã, ao acordar, que tal passar apenas dois minutos sem pegar o telefone? Só sentir o peso do corpo na cama, ouvir os sons ao redor. Não é para alcançar nada — só para estar presente, como quem treina um músculo que esquecemos de usar.
A chuva continua lá fora. E eu continuo aqui dentro, aprendendo a ficar.
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