Hoje acordei mais cedo do que o habitual. A luz da manhã entrava pela janela de uma forma diferente — talvez porque o sol já está mais alto nesta época do ano. Fiquei alguns minutos só observando as sombras mudarem na parede, sem pressa de começar o dia.
Enquanto preparava o café, percebi que tinha colocado água a mais na cafeteira. Um erro pequeno, mas que me fez pensar: quantas vezes fazemos as coisas no automático, sem realmente prestar atenção? Bebi o café mais fraco do que gosto, mas usei isso como um exercício. Será que consigo apreciar algo que não é exatamente como prefiro?
Passei parte da manhã a reler algumas notas antigas. Encontrei uma frase que tinha escrito há meses: "A mente tranquila não é aquela que não tem pensamentos, mas aquela que não se prende a eles." Na altura, tinha parecido apenas bonita. Hoje, depois de observar como os meus pensamentos saltam de um lado para o outro enquanto tento trabalhar, a frase ganhou outro peso.
À tarde, tomei uma decisão simples mas surpreendentemente difícil: desligar as notificações do telemóvel por duas horas. Não foi dramático, mas houve um desconforto inicial — aquela sensação de que estou a perder algo importante. Não perdi nada, claro. Só ganhei um bocado de silêncio interno.
Fiquei a pensar: o que aconteceria se, antes de dormir, escrevesse apenas uma linha sobre algo que realmente vi hoje? Não algo que pensei ou planei, mas algo que os meus olhos captaram e que normalmente ignoraria. Uma experiência pequenina — talvez cinco minutos, um caderno, uma caneta.
A mente está sempre a correr. Mas hoje, pelo menos por momentos, consegui caminhar ao lado dela sem ser arrastado.
#filosofia #atenção #reflexão #quotidiano