A portaria do edifício cheirava a cera e a cigarro frio. Marta colocou o chaveiro em cima do balcão...
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A portaria do edifício cheirava a cera e a cigarro frio. Marta colocou o chaveiro em cima do balcão...
A mulher dobrou a última peça e viu a fotografia cair no piso de ladrilho, com um estalo seco. Era...
Era quase meia-noite quando ela abriu a gaveta pela última vez. O apartamento estava vazio de tudo,...
Às sete da manhã, Marta abriu a última gaveta e encontrou o cartão postal. Era uma foto de praia —...
Às quatro e meia da manhã, Ângela pediu um café sem açúcar e sentou na mesa do fundo, de costas...
Às onze da noite, a lavanderia no final da ladeira ainda tinha uma máquina ligada. Irene deixou a sacola no balcão e ficou olhando pela janela — a rua molhada refletia os letreiros amarelos da padaria do outro lado, e um ônibus vazio passou devagar como se não soubesse onde parar.
A atendente, uma mulher de cabelo preso com um clipe de plástico, empurrou um lenço pela grade de metal.
—Achou na máquina número quatro. Alguém esqueceu.
O lenço era branco, bordado nas bordas com linhas azuis finas. No canto inferior, um nome em letra miúda, caprichada: Nair.
Irene ficou parada com o lenço na mão. A palavra era de outro tempo — o nome da avó, morta faz doze anos, que bordava à tarde na varanda com a televisão ligada sem som e o ventilador girando no teto. Pareceu-lhe que o cheiro do sabão estava muito forte de repente, ou talvez fosse outra coisa, um cheiro que ela não conseguia nomear.
—Quer deixar no achados? — perguntou a atendente.
—Vou deixar, sim.
Ela não tocou no lenço.
Voltou três dias depois para buscar a roupa lavada. Perguntou sobre o lenço quase por acidente, como se a pergunta tivesse saído sozinha, sem pedir licença.
A atendente abriu uma gaveta, depois outra.
—Não tem nada aqui não — disse. — Talvez alguém tenha vindo buscar.
Irene pegou a sacola e saiu. Do lado de fora, a ladeira cheirava a asfalto molhado e café queimado vindo da padaria. A máquina número quatro ainda girava lá dentro, com barulho de água, como se ainda tivesse roupa dentro.
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