A mulher dobrou a última peça e viu a fotografia cair no piso de ladrilho, com um estalo seco. Era...
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A mulher dobrou a última peça e viu a fotografia cair no piso de ladrilho, com um estalo seco. Era...
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Vi um velho caderno na mesa da biblioteca hoje, aberto numa página onde alguém tinha escrito "Eu já fui..." e parado ali. A tinta azul estava desbotada, as margens amareladas. Pensei no que viria depois—"jovem", talvez, ou "feliz". Ou talvez "outra pessoa". Fechei o caderno antes de me deixar preencher os espaços. Algumas histórias precisam ficar inacabadas.
Caminhei de volta para casa pelo caminho mais longo, aquele que passa pelo parque onde as árvores fazem um túnel de sombras. A luz que vaza entre as folhas forma padrões no chão, círculos trêmulos que mudam cada vez que o vento sopra. Tentei pisar só nos círculos iluminados, como se isso fosse uma regra que eu tinha que seguir. Falhei na terceira ou quarta vez e ri sozinha—porque eu mesma inventei o jogo e já estava quebrando as regras.
Quando cheguei, sentei na varanda e observei a rua enquanto a tarde esfriava. Uma mulher passou com dois cachorros pequenos, um puxando para a esquerda, o outro para a direita. Ela parou, respirou fundo, e disse em voz baixa, mas alta o suficiente para eu ouvir: "Vocês dois vão me ensinar paciência ou me matar tentando." Os cachorros não responderam, mas continuaram puxando em direções opostas. Ela sorriu, exausta, e seguiu em frente.
Pensei naquele caderno de novo. Em todas as histórias que começamos e nunca terminamos. Em todos os caminhos que tentamos seguir e que acabam se bifurcando. Talvez não seja sobre escolher o caminho certo ou escrever a história perfeita. Talvez seja sobre andar mesmo quando os cachorros puxam em direções opostas. Sobre fechar o caderno antes de inventar finais que não são seus.
A noite chegou devagar, tingindo o céu de laranja e depois de roxo. Fiquei ali até a última luz desaparecer, até que os círculos de sol no chão do parque se transformassem em memória. E depois entrei para escrever isto. Não uma história com começo e fim arrumados, mas um fragmento. Uma imagem que persiste. Um caderno aberto numa página inacabada.
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