O cheiro do coentro bateu antes de eu abrir o saco — aquele verde úmido que a barraca da Dona...
O cheiro do coentro bateu antes de eu abrir o saco — aquele verde úmido que a barraca da Dona...
O cheiro de coentro picado ainda estava no ar quando o peixeiro fechou a caixinha de isopor. Ele...
O alho bateu no azeite quente antes que eu chegasse ao fogão. O cheiro subiu rápido, agressivo, e...
O cheiro do gengibre raspado chegou antes de qualquer coisa — aquele ardor fresco que ocupa o nariz...
O alho entrou no azeite frio e foi esquentando devagar até soltar aquele chiado baixo, quase...
O alho entrou no azeite antes de eu estar pronta. Descuidei um segundo — olhei para a janela, o vizinho tinha colocado música — e quando me virei o cheiro já tinha virado mais amargo do que devia. Não queimou, mas chegou perto. Abaixei o fogo, joguei a cebola cortada fina para frear, e o som que saiu foi aquele tchrrr molhado e denso que significa que ainda dá para salvar.
Era carne de sol que sobrou de domingo. Ficou no fundo da geladeira coberta com um prato, e quando abri estava seca na superfície mas úmida por dentro, boa ainda. Cortei em pedaços pequenos, desfiei um pouco com os dedos antes de levar à frigideira de ferro. O ferro quente absorveu o sal da carne, e o que ficou grudado no fundo era uma gordura amarelada com cheiro que me leva direto à cozinha da vovó Dora no interior — fogão de lenha, panela de barro, o calor que não vinha só do fogo mas da hora do dia inteira acumulada.
Acrescentei o quiabo miúdo que comprei com a dona Maria na feira de sábado, perto da entrada, onde ela reserva os menores pra quem chega antes das oito. Cortei sem molhar, com a faca bem seca, porque aprendi que a água chama o baba. Mesmo assim ficou mais viscoso do que eu queria. Joguei uma colher de vinagre de vinho branco, mexi devagar. O vinagre quebrou a textura pegajosa e o quiabo começou a firmar sem se desfazer, mantendo aquela resistência fina antes de amolecer.
A primeira mordida trouxe o sal da carne antes de qualquer coisa, depois o azedo leve do vinagre que sumiu rápido. O quiabo amacia na língua sem desaparecer de uma vez — tem uma resistência pequena antes de ceder, quase uma pressão. O sabor de fundo é terroso, levemente verde, e fica na boca depois de engolir junto com o resíduo gordo e salgado da carne que demora a ir embora.
Comi com arroz feito só com água e sal. Não precisava de mais.
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